Com 44 anos de idade, o roteirista e diretor espanhol Jonás Trueba (filho do também roteirista e diretor espanhol Fernando Trueba) retrata personagens da sua geração ou um pouco mais novos na comédia melancólica Volveréis, protagonizada por uma cineasta, Ale (Itsaso Arana), e seu namorado, o ator Alex (Vito Sanz).
Juntos há 15 anos, eles decidem – de mútuo acordo – por um fim na relação. O pai dela, interpretado por Fernando Trueba, diz que deveriam comemorar. Se as pessoas celebram o começo de uma união, por que não celebrar o final também? Bem, por que não? Por isso, o ex-casal decide dar uma festa.
A festa e seus preparativos se tornam, também, um pretexto para a existência de um filme. E desde o começo, toda a empreitada causa estranhamento nos familiares e amigos. Mas Alex e Ale não se importam e começam a pensar na festa, sem dar-se conta de que deveriam estar pensando em outros assuntos, como a maneira de lidar com o fim de um relacionamento tão longo.
Trueba, claramente, tem muito carinho por seus personagens e pelo cinema, em especial. O “Tarô Bergman”, por exemplo, é uma das piscadelas que o filme dá ao cinema enquanto arte e catarse pessoal – numa clara alusão a Cenas de Casamento, o filme que se tornou referência quando o assunto é o fim de um relacionamento. Há também, é claro, uma relação com comédias românticas clássicas.
Enquanto Volveréis não deixa de ser gracioso em seu retrato, é, ao mesmo tempo, sequestrado pela mentalidade jovem e modernosa de seus personagens em sua festa estranha com gente esquisita. A busca pela leveza num momento que, teoricamente, é de pesar é uma maneira delicada que Trueba, que assina o roteiro com Arana e Sanz, encontrou para retratar o fim de um ciclo. Ao mesmo tempo, o longa pretende ser uma homenagem ao cinema, e aí se torna redundante em seu esforço de exibir as referências e o conhecimento de quem o faz.
