02/07/2026
Drama

A História do Som

Dois jovens músicos se conhecem na faculdade, vivendo um romance proibido e intenso. Depois, viajam pelos EUA no começo do século XX, num projeto de pesquisa de músicas populares. A I Guerra e segredos familiares entram no caminho desse amor.

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O diretor sul-africano Oliver Hermanus estreou na competição de Cannes 2025 com este muito digno exemplar de drama romântico de época A História do Som, estrelado pelo irlandês Paul Mescal e o inglês Josh O’Connor. Eles interpretam, respectivamente, Lionel e David, dois estudantes de música nos EUA do começo do século XX que vivem um amor delicado, intenso e proibido.

Hermanus mostra mão segura para compor o relacionamento destes dois homens de origem social bem diferente - Lionel vem de uma modesta família rural do Kentucky, David é órfão numa família de classe média alta - e cujos interesses decolam na música. Lionel é cantor, David compositor, e os dois embarcam a certa altura numa viagem de pesquisa pelo interior norte-americano, colhendo melodias populares, gravadas num gravador de cilindros de cera, a tecnologia disponível à época - num trabalho de pesquisa semelhante ao realizado por Mário de Andrade no Brasil, nos anos 1920.

A História do Som é pleno de atmosferas e tira bom proveito dessas melodias que os dois pesquisadores vão colhendo, enquanto vivem esse relacionamento impedido pelos preconceitos da época. A composição dramática dos dois personagens é também notável. Num elenco com poucas participações femininas, restam duas a observar, de Hadley Robinson e Emma Canning. Chris Cooper faz outra entrada notável na parte final. 

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