O diretor sul-africano Oliver Hermanus estreou na competição de Cannes 2025 com este muito digno exemplar de drama romântico de época A História do Som, estrelado pelo irlandês Paul Mescal e o inglês Josh O’Connor. Eles interpretam, respectivamente, Lionel e David, dois estudantes de música nos EUA do começo do século XX que vivem um amor delicado, intenso e proibido.
Hermanus mostra mão segura para compor o relacionamento destes dois homens de origem social bem diferente - Lionel vem de uma modesta família rural do Kentucky, David é órfão numa família de classe média alta - e cujos interesses decolam na música. Lionel é cantor, David compositor, e os dois embarcam a certa altura numa viagem de pesquisa pelo interior norte-americano, colhendo melodias populares, gravadas num gravador de cilindros de cera, a tecnologia disponível à época - num trabalho de pesquisa semelhante ao realizado por Mário de Andrade no Brasil, nos anos 1920.
A História do Som é pleno de atmosferas e tira bom proveito dessas melodias que os dois pesquisadores vão colhendo, enquanto vivem esse relacionamento impedido pelos preconceitos da época. A composição dramática dos dois personagens é também notável. Num elenco com poucas participações femininas, restam duas a observar, de Hadley Robinson e Emma Canning. Chris Cooper faz outra entrada notável na parte final.
