Em sua habitual ciranda pelas discretas nuances da emoção amorosa, Eric Rohmer insere aqui a adolescente Pauline (Amanda Langlet), de 15 anos, numa primeira visita ao mundo dos adultos. De férias nas praias da Bretanha com a prima bem mais velha e prestes a divorciar-se, Marion (Arielle Dombasle), Pauline tem a chance de descobrir de quantas incertezas, mentiras e hesitações é feita uma paixão.Ah, como este verão é complicado! Marion reencontra Pierre (Pascal Greggory), ex-namorado que continua apaixonadíssimo por ela. Louco para reatar o caso com a escultural loira de seu passado, Pierre a paquera - mas Marion não quer nada com este ciumento incurável. Prefere muito mais a companhia do volúvel Henri (Féodor Atkine), divorciado e conquistador insaciável. Enquanto isso, Pauline encontra a companhia de um garoto de sua idade, Sylvain (Simon de la Brosse). O relacionamento entre os dois adolescentes é até bem simples, ditado pelo ritmo dos hormônios e as declarações diretas. Mas a relação entre os adultos é mais enviesada e termina por arrastar também os dois jovenzinhos.Um jogo de esperança e decepção arma-se entre as pessoas, que falam sem parar do que lhes vai pelo coração - como sempre nos filmes de Rohmer, cuja tetralogia das estações ganhou recentemente alguns milhares de adeptos entre as platéias de São Paulo e do Rio de Janeiro. Rohmer é mesmo um mestre da intriga amorosa ligeira que aqui é temperado por um traço nostálgico não-intencional, já que o filme chega aos cinemas brasileiros pela primeira vez, segundo informações da distribuidora Estação Botafogo, com mais de 20 anos de seu lançamento original. O detalhe, se não rouba a graça da história, com certeza impõe alguns limites. Já não se fazem adolescentes assim tão inocentes quanto Pauline e Sylvain. E a era pós-AIDS só permite olhar com saudade o descompromisso destes namoros à beira do mar da Bretanha.
