Conhecida atriz francesa, Isild Le Besco (Uma Nova Amiga) realiza um filme altamente pessoal, no qual se destaca, exatamente, a presença de três grandes atrizes em papeis marcantes. O tema não podia ser mais atual e relevante: a violência contra a mulher. Mas, ao invés de lidar com as questões legais de um episódio de violência doméstica, Minha Querida Família aborda o tema pelo prisma pessoal da cura do trauma.
Élodie Bouchez, bastante conhecida nos anos de 1990, por filmes como A Vida Sonhada dos Anjos, é Estelle, que foge do marido abusivo, Antonio (Stefano Cassetti), com os filhos pequenos, e busca refúgio na casa da mãe, conhecida apenas como Queen/Rainha, interpretada por Marisa Berenson. Há as outras irmãs, Janet (Jeanne Balibar) e Manon (Le Besco), o irmão Marc (Axel Granberger) e o meio-irmão Jean-Luc (Élie Semoun), favorito da mãe.
Segredos do passado emergem nesse reencontro familiar, no qual todos parecem precisar de uma boa terapia para lidar uns com os outros. As tensões se fortalecem, os ânimos fazem os parentes baterem de frente entre si, como era de se esperar de uma família rica, com um passado aparentemente nebuloso.
Le Besco, como diretora, procura observar com um olhar quase documental, transitando entre temas e tons. Poderia ter dado muito errado, mas o elenco sustenta o filme com brio, em especial Berenson, atriz conhecida eternamente como a protagonista feminina de Barry Lyndon, que aqui tem uma personagem excêntrica e que, embora coadjuvante, rouba a cena.
