18/07/2026
Terror

Para Sempre Medo

Liz e Malcolm namoram há um ano e fazem uma viagem para uma casa isolada numa floresta, mas coisas estranhas começam a acontecer e colocam em xeque a sanidade dela.

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Osgood Perkins é um cineasta que sempre andou na corda bamba. Não que ele se arrisque em seus filmes de terror, mas porque é difícil de saber, ao menos num primeiro momento, o que achar de seus longas – como O Macaco e Longlegs – Vínculo Mortal. Com Para Sempre Medo, no entanto, ele se coloca numa posição mais cômoda: o filme é confuso e sem sentido. 

Um filme, talvez, pouco convencional que esconde, em algum lugar de suas entranhas, algo melhor, mais bem resolvido, mais horrorífico do que meras imagens aleatórias e bizarras que não fazem sentido, não ajudam na trama, nem na atmosfera. São apenas estranhas por si mesmas. 

A abertura, mostrada pelo ponto de vista de um homem, é impressionante o suficiente para fazer uma promessa que o filme não cumpre. As diversas mulheres excluídas de sua vida formam um painel da vida de um homem problemático e hipócrita, cuja próxima vítima será Liz (Tatiana Maslany), que viaja para passar um dias no meio da floresta com seu namorado, Malcolm (Rossif Sutherland). 

Ele é um médico meio desajeitado que pouco sorri, mas apaixonado, e, aparentemente, não transmite a ideia de um serial killer. Mas se passasse isso, alguém iria viajar para o meio do mato com ele? Um sinal de alerta surge quando ele diz para Liz que ela “não é igual às outras”. 

Um bolo de chocolate muda tudo – nunca um bolo de chocolate mudou tanta coisa num filme –, e o terror propriamente dito começa. Liz passa a ter visões de criaturas estranhas, humanoides horrorosos e pesadelos e medos entram em cena. Tudo é muito mal articulado, apesar da boa fotografia de Jeremy Cox. Um flashback, de dois séculos atrás, explica, talvez até demais, a ponto de não fazer o menor sentido. 

Perkins atira para todo lado, com elementos típicos do terror que são esvaziados de sentido em seus excessos. Do primo assustador (Birkett Turton) à bela modelo (Eden Weiss) que não fala inglês, mas aponta para a caixa lynchiana, com o bolo que, segundo ela, “tem gosto de merda”, tudo indica estranhamentos que não se materializam num filme que pretende ser sobre relacionamentos contemporâneos, mas erra na mira. Possivelmente, o diretor quis fazer um filme feminista, um comentário sobre os riscos que as mulheres enfrentam nos relacionamentos, sempre um salto no escuro, mas o resultado é pífio. 

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