02/07/2026
Drama

Anêmona

O ex-militar Ray abandou a civilização e perdeu contato com seu filho e a ex-mulher. Agora, é procurado por seu irmão dizendo que precisa se reconectar com o filho. Nos cinemas.

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Daniel Day-Lewis está de volta! Abandonou sua tão falada aposentadoria por um convite que ele não podia recusar – e este não veio de nenhum diretor ou diretora renomados, ou num filme de destaque que poderia lhe render mais um Oscar. Não! Quem diria, ele voltou a atuar convencido por um jovem cineasta estreante – que, por acaso, é seu filho, Ronan Day-Lewis, cuja mãe é a aclamada cineasta e escritora Rebecca Miller, por sua vez, filha do premiado dramaturgo e escritor Arthur Miller. Está no sangue, diriam alguns. É puro nepotismo, diriam outros.

Bem, a dúvida pode ser resolvida assistindo ao equivocado Anêmona, longa repleto de ambição, mas sem a menor noção de como a executar. O fato de ser escrito e dirigido por Ronan Day-Lewis, faz pensar se outro ou outra jovem cineasta sem experiência ou uma família famosa conseguiria fundos para realizá-lo. Possivelmente, não. 

Day-Lewis, pai, assume o protagonismo, claro, nesse exercício de narcisismo com fotografia intoxicante e montagem metida a artística. O ator comanda a cena, domina o filme, a ponto de justificar (se é que se justifica) sua existência. O roteiro, escrito em parceria pelos dois Day-Lewis, é elusivo, lacunar e a direção acumula mais referências do que substância em sua vontade de ser Grande – assim, em caixa alta –, levando-se a sério como se fosse um Bergman estadunidense ou coisa que o valha. 

O ator interpreta Ray, ex-militar, pai negligente que se isolou no meio de uma floresta perto da costa inglesa, onde cultiva anêmonas, e precisa reatar os laços com o filho. Do nada, seu irmão Jem (Sean Bean) aparece, e diz que ele precisa reencontrar a ex-esposa, Nessa (Samantha Morton), e o filho, Brian (Samuel Bottomley). O fato de que Jem vive com eles como marido e pai é só, digamos, um detalhe. 

Tudo isso é embalado na ideia da masculinidade tóxica, um elemento em que o roteiro mostra a todo momento, mas não discute, apenas retrata, e, assim, se mostra mais inócuo do que, realmente, importante – que é o que o diretor realmente pensa de seu trabalho. Anêmona aspira a mais do que é capaz de materializar na tela. Imagens supostamente bonitas não fazem um filme. As mais de duas horas nunca se justificam, e, no fim, fica apenas a sensação de que é só um exercício de nepotismo. 

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