18/07/2026
Animação

A Pequena Amélie

Amélia é uma menina belga, a caçula de 3 irmãos, de uma família radicada no Japão, no final dos anos 1960. Até os 2 anos e meio, não falava nem andava. Mas a visita da avó muda tudo. A partir daí, Amélie descontará o tempo perdido, tornando-se uma garotinha cheia de vida, contando também com a dedicação de Nishio-san, sua babá japonesa.

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Indicada ao Oscar de animação, depois de ter vencido um prêmio de público no Festival de Annecy e recebido indicações no César, Bafta e Critics’Choice, a animação A Pequena Amélie, de Maïllys Vallade e Liane Cho-Han, combina rigor técnico com um enredo que voa mais longe dos que as tradicionais animações infantis justamente por assumir o ponto de vista de uma criança, sua protagonista.

A história inspirou-se na autobiografia da artista Amélie Nothomb e não se esquiva a adentrar o mundo mágico da imaginação infantil de uma garotinha belga radicada com sua família no Japão, no final dos anos 1960. Terceira filha de um casal, a menina parece catatônica até os 2 anos e meio, quando a visita da avó, trazendo chocolate branco da Bélgica, parece operar uma mágica. 

Amélie desanda a falar e andar e recupera o tempo perdido, ocupando o seu lugar de caçula entre os irmãos mais velhos, André e Juliette, mas sempre mostrando-se uma criança um tanto original e ousada. 

Sua integração afetiva com o Japão se dá especialmente quando a família incorpora uma empregada, a jovem Nishio-san, que passa boa parte do tempo com a menina, apresentando-lhe detalhes da realidade cultural japonesa. Esta intimidade desperta o rancor de Kashima-san, a dona da casa alugada aos belgas, duramente ressentida pelos traumas da II Guerra Mundial - na qual Nishio-san, aliás, perdeu toda a sua família.

Este choque cultural é incorporado numa história que imprime um grande rigor visual para retratar a natureza local, seja do jardim da casa da família, seja numa visita à praia em que Amélie viverá uma experiência demolidora.

Tudo isso é embalado também por uma aura fantástica, que remete à cultura tradicional do Japão mas nunca perde de vista que o que se está acompanhando são os sentimentos de uma criança de três anos - que, não raro, parece mais madura do que essa tenra idade, vivendo superações de eventos radicais do seu ponto de vista, como a morte de parentes e a separação de pessoas queridas. Certamente, por todo esse contexto, esta Amélie é uma criança bem mais original do que as que habitualmente povoam as animações.

 

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