Autora de bestsellers que inspiraram filmes que ela também roteirizou, como É Assim que Acaba (2024) e Se Não Fosse Você (2025), a norte-americana Colleen Hoover lança mais uma história temperada de tragédia, romance e clichês em Uma Segunda Chance.
Dirigido por Vanessa Caswill, o filme tem sua heroína em Kenna (Maika Monroe), jovem que acaba de sair da prisão e volta à cidade onde morava, no Wyoming. Presa por ter sido considerada culpada num acidente que matou seu noivo, Scotty (Rudy Pankow), ela retorna para ver sua filha - a que ela deu à luz na cadeia e foi entregue aos pais de Scotty, Grace (Lauren Graham) e Patrick (Bradley Whitford).
Nesse contexto, há pouca esperança que Kenna consiga aproximar-se da filha, já que os sogros têm a guarda da menina e o poder de impedir que Diem (Zoe Kosovic) saiba de sua existência. Completa o quadro Ledger (Tyrik Withers), melhor amigo de Scotty e que serve como uma espécie de pai substituto para a menina.
A vida de Kenna é, portanto, um verdadeiro calvário. Ela tem dificuldade em obter emprego, devido à ficha policial, e é obrigada a morar num motel barato, decadente e longe da cidade - o que a obriga a andar quilômetros a pé.
Ledger, que não a conhecia por ter estado longe do amigo no passado, finalmente vai envolver-se com ela e tentar ajudá-la na quase impossível missão de conectar-se com a filha. Evidentemente, aqui vai nascer uma paixão incômoda, inconveniente mas nem por isso menos quente.
É fácil ver por quais caminhos a romancista-roteirista junta seus clichês, armando situações e cenários emotivos, que costumam causar lágrimas em seu público fiel. Hoover parece colecionar uma tabela de situações com potencial de apertar os botões emocionais do grande público, especialmente o jovem. Seu interesse maior demonstra ser o meramente comercial - um forte indício disso foi a intenção da autora de lançar um livro de colorir baseado em É Assim que Acaba, um romance sobre violência doméstica, o que evidentemente causou polêmica.
Por conta disso, o andamento da ação em Uma Segunda Chance é esquemático e previsível - todo mundo pode antecipar quando vai haver um conflito e que todos os caminhos levam a uma reconciliação. É o tipo da história que aposta numa receita melodramática fácil e não arrisca nada, porque o objetivo é fazer as vontades do público, não estimular sua inteligência, levando-o às lágrimas sempre que possível. E assim nasce um filme totalmente esquecível.
