A ideia inicial de Ditto: Conexões do Amor não tem nada de novo. Duas pessoas em tempos diferentes se conhecem por conta de um dispositivo fantástico. Já houve algo parecido em A Casa do Lago, há alguns anos atrás, mas a maneira como a diretora e roteirista Seo Eun-young lida com esse ponto de partida adiciona uma camada de singeleza ao filme, que o faz conectar-se ao público juvenil ávido por conteúdo sul-coreano.
Remake de um longa de 2000, produzido no mesmo país, Ditto... aborda temas e ansiedades de jovens em dois momentos da história do país: no final dos anos de 1990, quando a sociedade sul-coreana saía da crise econômica que afetou a Ásia, e em 2022.
Cada momento tem um protagonista. No passado, Kim Yong (Yeo Jin-goo), estudante numa universidade, e no presente a jovem Mo-nee (Cho Yi-hyun), que frequenta a mesma instituição. Por meio de um rádio amador, por acaso, numa noite eles se conectam e começam a conversar.
O filme não se importa em explicar como o fenômeno acontece, e isso não faz falta, pois, por meio deste, é que podemos ver as diferentes expectativas e ansiedades de dois jovens em momentos diferentes, e como a amizade entre eles permite que suas vidas sejam transformadas.
Há momentos de humor, como quando Mo-nee começa a falar de coisas modernas, ou quando, antes de saber que vivem em anos distintos, tentam se encontrar. Assumidamente romântico, o longa narra de forma terna, numa fotografia em tons pastel, uma história de amor fadada a não acontecer. Seo sabe como dosar o humor e o romance, embora não consiga evitar algumas coisas cafonas, mas isso não atrapalha o andamento. O maior problema, no entanto, são algumas tramas paralelas que nem precisavam existir, e que levam Ditto: Conexões do Amor a inexplicáveis 114 minutos.
