02/07/2026
Religioso

A Última Ceia

O apóstolo Pedro é o responsável por organizar a ceia na qual Jesus se reunirá com seus seguidores e ensinará rituais importantes antes de ser preso e crucificado.

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Como qualquer episódio bíblico, a Santa Ceia é altamente cinematográfica. Uma narrativa cheia de tensão, anúncio de traição, ensinamentos, reviravoltas e drama. Como tantos outros temas cristãos, pode render um filme profundo, complexo e sofisticado, como, digamos, O Evangelho Segundo São Mateus, de Pier Paolo Pasolini, ou Rei dos Reis, de Cecil B. DeMille, só para ficarmos no Novo Testamento. 

A escolha de Mauro Borrelli para sua versão de A Última Ceia, no entanto, é, literalmente, a de pregar para convertidos. O filme é uma obra cristã e para cristãos. E é isso. Cinematograficamente, porém, é pobre em suas escolhas formais, soando quase como um derivativo da série The Chosen, especialmente em sua estética. 

Cristo (Jamie Ward) não é exatamente o protagonista, um papel que cabe a Pedro (James Oliver Wheatley), que aqui funciona como uma espécie de organizador, relações públicas e mestre de cerimônias da Última Ceia – e que negará Jesus três vezes antes do galo cantar. Não cabe muito aos demais apóstolos a não ser completar a mesa, e a Judas (Robert Knepper) cometer a conhecida traição. 

Sem muito empenho, o roteiro assinado por John Collins e o diretor segue a história já conhecida, do último jantar e dos fatos que culminam com a crucificação e a ressurreição no terceiro dia. Tudo isso sem a riqueza narrativa presente em qualquer um dos evangelhos do Novo Testamento, que, textualmente, são bastante ricos. 

Filmado no Marrocos, o cenário é bonito, mas a trilha sonora excessiva e o uso de efeitos especiais atrapalham demais qualquer envolvimento que se possa ter com o filme. As atuações pouco inspiradas também não ajudam a criar vínculos emocionais. Ward, que interpreta uma das figuras mais conhecidas de todos os tempos, é incapaz de transmitir sentimentos em sua atuação, o que transfere para a trilha onipresente tentar traduzir em notas musicais o que ele sente. Um esforço em vão. 

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