02/07/2026
Drama

Tatame

Leila Hosseini é a principal judoca da equipe iraniana e uma das favoritas a ganhar uma medalha de ouro no Mundial da Geórgia. À medida que avança nas lutas, aumenta a chance de que ela deverá enfentar uma atleta israelense na final. Aí ela recebe ordens do governo iraniano para perder sua próxima luta e evitar o confronto com a israelense. Nos cinemas.

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Inspirado em fatos reais, Tatame, drama dirigido em parceria pelo israelense Guy Nattiv e pela também atriz iraniana Zar Amir Ebrahimi, traz a política literalmente ao ringue esportivo. 

Não faltam credenciais à dupla de diretores. Nattiv venceu um Oscar por seu curta Skin (2019). Zar, por sua vez, foi premiada como melhor atriz em Cannes em 2022 por Holy Spider. Esse prestígio provavelmente lhes deu condições de abordar um tema polêmico: a ingerência do alto escalão do governo iraniano nas atitudes de seus atletas em competições no exterior.

O campo de batalha para o enfrentamento de ideais e ideologias será uma competição de judô em Tbilisi, na Geórgia. Uma das atletas mais destacadas da competição é a iraniana Leila Hosseini (Arienne Mandi), que se preparou arduamente para tentar ser a melhor do mundo. Ela enfileira uma vitória atrás da outra até que, repentinamente, recebe a ordem de perder a próxima luta. A portadora do recado, ninguém menos do que sua treinadora, Maryam (Zar Amir Ebrahimi), que recebeu instruções diretas dos dirigentes iranianos e de seus agentes, que acompanham os atletas numa vigilância mais ou menos ostensiva.

Maryam não está confortável com a posição que ocupa neste momento. No passado, ela mesma foi atleta e sofreu o mesmo tipo de pressão política, que se transforma em chantagem por conta dos parentes que permanecem no Irã, alvos potenciais, portanto, de retaliações por parte do regime. O medo impediu sua chance de tornar-se campeã do mundo. Agora, é Leila o alvo da mesma contingência, que acontece porque o regime dos aiatolás deseja impedir, a qualquer preço, que a atleta iraniana enfrente a representante de Israel, o que se torna uma possibilidade cada vez mais concreta à medida que avançam as lutas.

Com familiares que ficaram no Irã, casada e mãe de um filho pequeno, Leila enfrenta uma jornada de angústia, que se soma ao natural desgaste físico e mental de cada luta. A história se equilibra sobre suas dúvidas e também sobre sua vontade ferrenha de atingir o ápice da carreira. Ela sabe que não terá outra chance de vencer uma medalha de ouro.

A surda batalha na delegação iraniana não passa despercebida a integrantes da Federação Internacional de Judô, que podem oferecer uma saída a Leila - que neste caso teria que optar pelo exílio. 

Este dilema, ainda que ficcional, baseia-se em casos concretos de alguns atletas iranianos - como o judoca Saeid Mollaei, pressionado a abandonar o Mundial de Tóquio e que acabou sendo incorporado à Mongólia. Mais recentemente, em campeonato de futebol feminino ocorrido na Austrália, parte da delegação iraniana acabou pedindo asilo, o que demonstra que alguns problemas do regime estão longe de terminar, e não deverão ter solução breve, ainda mais em tempo de guerra. 

A fotografia em preto-e-branco, assinada por Todd Martin, reforça a dramaticidade da situação, tornando-se um elemento estético a elogiar.

 

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