É bom começar pelo começo. O que as distribuidoras internacionais, a brasileira inclusive, está chamando de Pinóquio, não é bem o Pinóquio que conhecemos, da obra do italiano Carlo Collodi. Essa produção russa é inspirada no romance do seu conterrâneo Alexei Tolstoy, que nos anos de 1920, vivendo no exílio, editou uma tradução do romance italiano e, na década seguinte, sua versão da história, chamada A Chave de Ouro, já adaptada na Rússia em 1975.
Embora o pequeno protagonista seja um menino feito de madeira, aqui o nome dele é Buratino (derivado do italiano burattino, que significa fantoche), e seu criador Carlo – o filme lançado no Brasil, no entanto, trata-os por Pinóquio e Geppetto. O menino – criado por efeitos visuais a partir da atuação da jovem atriz Vitaliya Kornienko – não sonha em se tornar humano, e seu nariz não cresce quando conta mentiras.
Nessa versão, Pinóquio quer se inserir na sociedade. Seu pai (Aleksandr Yatsenko) o matricula na escola, mas, logo no primeiro dia, os meninos usam sua cabeça como bola de futebol, para desespero de Carlo, que o leva para casa. O garoto, por sua vez, descobre uma trupe curiosa que faz espetáculos combinando circo e teatro de marionetes, e resolve que ali é seu lugar. Mesmo com reservas, Carlo deixa o garoto ir embora com Karabas Barabas (Fyodor Bondarchuk), dono da atração.
A Chave de ouro, do original, garante a realização de um desejo, e Pinóquio vai em busca dela para realizar um sonho de Carlo. Essa história é narrada de forma bastante ingênua e com músicas que nem sempre funcionam em português – talvez sejam melhores no original russo – mas é inegável que o visual do filme é impressionante no seu uso de cores, direção de arte e figurinos.
