18/07/2026
Documentário

A Voz de Deus

No passado, Daniel Pentecoste foi um pastor mirim de sucesso. Já hoje, entrando na vida adulta, ele está em crise, abandonou o ministério e pensa em mudar de vida. Atualmente, João Vitor Ota é um dos mais bem-sucedidos pastores mirins do Brasil. O documentário acompanha o cotidiano dos dois.

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O documentário A Voz de Deus acompanha a trajetória de dois pastores mirins. Um deles é Daniel Pentecoste, que quando criança foi um dos pregadores mais famosos de sua geração, numa época em que não havia redes sociais e se ganhava os fiéis no corpo a corpo, no púlpito. 

João Vitor Ota, no entanto, encontrou, diga-se, um momento mais propício para a vocação ou profissão. Sua fama surgiu quando era criança, e desfrutou das possibilidades de chegar a todo mundo por meio de redes sociais. Agora na adolescência, em sua conta principal no Instagram, desativada em agosto passado, tinha mais de 1,4 milhão de seguidores. 

O documentário, dirigido por Miguel Antunes Ramos, acompanha esses dois rapazes no atual momento de suas vidas, um passando por uma crise de fé e vocação, e o outro no auge de sua carreira. É como se Pentecoste pudesse dizer a Ota: eu sou você amanhã.

Acompanhando o cotidiano dos meninos e suas famílias, Antunes Ramos descortina a vida familiar e como isso influencia no trabalho. Pentecoste abandonou o ministério, e o filme acompanha sua crise, seu desejo de mudar de vida e a tensão que surge com o pai, que ainda espera que o filho seja um pastor famoso. 

Ota, por sua vez, surfa na onda do presente, de onde tira sua fama. Como bom pastor mirim, tem em suas performances, seja no palco ou na internet, o ponto forte de sua pregação. Mas, no fundo, ele ainda gostaria de ser como um garoto de sua idade – por volta dos 15 anos –, divertindo-se e levando uma vida sem precisar se preocupar com a imagem. Num momento rápido, mas revelador, em sua casa, numa discussão animada com a família, ele começa a dizer: “Mano, vai tomar no... “. Provavelmente consciente da câmera, corta a frase e muda de assunto. 

Se ele é, basicamente, igual a tantos pregadores mirins, é Pentecoste quem se destaca no filme por seu caminho inusitado, aquele que entra em crise e abandona o púlpito em busca de uma vida com a qual se sinta mais confortável, e não uma que satisfaça os anseios de seu pai. Por isso mesmo, é mais fácil simpatizar com ele no filme do que com Ota. 

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