Baseado em romance de Zíbia Gasparetto, O Advogado de Deus não foge à regra dos dramas espíritas – especialmente daqueles que partem dos livros da autora. Todas as culpas e sofrimentos do presente têm sua raiz nas vidas passadas, e aos personagens é dada a chance de se redimir. Às vezes, acontecimentos são meras reprises de outras existências com a possibilidade de ser concluídos de maneiras diferentes.
Como também é de costume no gênero, trata-se de um melodrama sem nuances. Os personagens bons o são até o fim, sem nunca titubear, e os maus são, praticamente, filhos de Darth Vader com Odete Roitman, ou seja, a encarnação (talvez literalmente) do mal.
Daniel (Nicolas Prattes), o protagonista, é um advogado do bem sempre. Seu maior interesse, como diz, é jus-ti-ça. Se tem algo que o deixa fora de si são as injustiças, por isso vive batendo de frente com o pai (Augusto Madeira), um político corrupto, que quer o filho trabalhando no seu escritório em Brasília.
O advogado é procurado por Alberto (Danilo Mesquita), um jovem que recebeu a recomendação de o procurar num sonho. O rapaz acaba de voltar de Londres para investigar a morte misteriosa de seus pais quando ele era pequeno, e um primo deles, o médico José Luiz (Eucir de Souza), que ficou com a herança de um tio rico da família.
A história labiríntica ainda inclui Lidia (Lorena Comparato), filha de José Luiz e Maria Julia (Beth Goulart), uma mulher infeliz que sofre abusos físicos e emocionais do marido. Lidia foi namorada de Alberto e se apaixona agora Daniel. E, surpresa!, todos estão ligados por um crime de uma vida passada.
No filme escrito e dirigido por Wagner de Assis, os personagens são sempre muitos ricos e finos. Dinheiro não é um problema aqui, mas isso não impede que vilões sejam, literalmente, engolidos pelas trevas. Diálogos ultra-expositivos também são regra, incluindo frases de efeito aqui e ali, e ensinamentos para um público que vai ao cinema ávido por isso.
