A tentativa de fazer cinema de gênero sobressai em Rio de Sangue. O longa policial de ação de Gustavo Bonafé se passa na região da Amazônia, colocando como ponto de partida da narrativa um conflito entre empresários do garimpo e indígenas. A heroína da vez é uma policial sudestina, Patrícia Trindade (Giovanna Antonelli), que depois de uma ação malsucedida vai passar uma temporada no Amazônia com a filha, Luiza (Alice Wegman), que é médica numa ONG.
O filme não gasta muito tempo para estabelecer a ação. Depois do prólogo, Patrícia já está entrando na floresta para se hospedar com a filha, que sai, com seus colegas e seu namorado (Rui Ricardo Diaz) para uma ação numa aldeia indígena. Mas lá já são interceptados pelos capangas de Polaco (Antonio Calloni), e a jovem acaba levada para a casa desse chefão, depois que o filho dele (Ravel Andrade) leva um tiro e ela é a única médica no local.
Bonafé, assim como o roteiro assinado por cinco profissionais e dois colaboradores, está mais interessado no faroeste amazônico do que no desenvolvimento de personagens e narrativa. Nesse sentido, a ordem do dia é manter a ação correndo sem tempo para respirar. E, assim que sabe do sequestro de sua filha, a policial tenta infiltrar-se no garimpo de Polaco para estar próxima da garota e salvar a sua vida.
O filme abre e encerra com um monólogo de Mario (Fidelis Baniwa), indígena que vive isolado, longe de sua aldeia – que sofre nas mãos dos garimpeiros, em especial de Baleado (Felipe Simas), chefe dos capangas do empresário.
Bonafé, que tem em seu currículo o bom Legalize Já: A Amizade Nunca Morre (que dirigiu com Johnny Araújo), é responsável, também, pelo equivocado O Doutrinador, lançado pouco antes das eleições presidenciais de 2018, que trazia como protagonista um policial que assumia a personalidade do personagem-título para lutar contra "tudo isso que está aí".
Em Rio de Sangue há, claramente, a tentativa da crítica social, e o filme, certamente, tem seu coração no lugar certo. Mas não é tarefa simples combinar o cinema de gênero com o a pungência da denúncia. Dentro do filme, a matança de indígenas, por exemplo, é mais um estopim para o desencadear da ação, gerando mais tiros e violências do que exatamente uma denúncia.
