02/07/2026
Drama

Vidas Entrelaçadas

Maxine Walker é uma diretora norte-americana de filmes de terror que é convidada pela Fashion Week de Paris para realizar um curta promocional. Este curta será estrelado por uma modelo sudanesa, Ada, que vai viver nesta Fashion Week sua primeira grande chance. Neste ambiente, a maquiadora Angèle tudo observa e anota, pensando em tornar-se escritora. Nos cinemas.

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A diretora francesa Alice Winocour procura dar uma face humana aos bastidores da alta moda neste drama, Vidas Entrelaçadas, em que a presença da estrela Angelina Jolie à frente do elenco é um fator de atração.

Num roteiro também assinado pela diretora, a personagem Maxine Walker, vivida por Angelina, apresenta alguns traços dolorosamente autobiográficos. Cineasta norte-americana conhecida por seus filmes de terror, Maxine vem a Paris realizar um curta-metragem que servirá como divulgação da Fashion Week local. Ela vive os desafios desta missão ao mesmo tempo que a súbita descoberta de um câncer no seio, que a levará a ter que tomar drásticas decisões em sua vida pessoal e profissional.

Outras personagens femininas viverão nessa mesma Fashion Week momentos cruciais de suas vidas. Uma delas é a modelo sudanesa Ada (Anyier Anei), uma estudante de química radicada em Nairóbi que vem viver a grande chance de sua vida, estreando como modelo e também atuando no curta de Maxine. 

Outra personagem, essencial nos bastidores do mundo dos desfiles, é Angèle (Ella Rumpf), maquiadora que sonha tornar-se escritora, escrevendo histórias sobre as diversas pessoas que conhece no concorrido ambiente da moda, que ela observa tão de perto. 

Estas três personagens esbarram-se ao longo do filme sem realmente conectar-se, o que é uma das razões pelas quais esta produção se mostra um bocado fria. Nem mesmo a súbita ligação de Maxine com seu diretor de fotografia (Louis Garrel) ganha qualquer temperatura, apesar da urgência do contexto em que ela acontece - afinal, Maxine não sabe o quanto este câncer vai afetar o resto de sua vida. 

Vivendo uma personagem com notórias ligações com sua própria experiência com o câncer, Angelina não parece de modo algum entregue a esta atuação. Ela parece pairar sobre a história um tanto vagamente, um tanto artificialmente. Mais verdade existe na atuação de Anyier Anei e de Ella Rumpf - esta última, de longe a personagem mais interessante do filme, a quem, infelizmente, a história não dá tanto destaque. 

Muito melhor fez Robert Altman em 1994, com seu instigante Prêt-à-Porter, em que dissecava sem dó a superficialidade que acomete tantos estilistas, jornalistas e modelos, com a verve e acidez que eram marcantes no saudoso mestre norte-americano. Aliás, humor é coisa que inexiste em Vidas Entrelaçadas.

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