A diretora francesa Alice Winocour procura dar uma face humana aos bastidores da alta moda neste drama, Vidas Entrelaçadas, em que a presença da estrela Angelina Jolie à frente do elenco é um fator de atração.
Num roteiro também assinado pela diretora, a personagem Maxine Walker, vivida por Angelina, apresenta alguns traços dolorosamente autobiográficos. Cineasta norte-americana conhecida por seus filmes de terror, Maxine vem a Paris realizar um curta-metragem que servirá como divulgação da Fashion Week local. Ela vive os desafios desta missão ao mesmo tempo que a súbita descoberta de um câncer no seio, que a levará a ter que tomar drásticas decisões em sua vida pessoal e profissional.
Outras personagens femininas viverão nessa mesma Fashion Week momentos cruciais de suas vidas. Uma delas é a modelo sudanesa Ada (Anyier Anei), uma estudante de química radicada em Nairóbi que vem viver a grande chance de sua vida, estreando como modelo e também atuando no curta de Maxine.
Outra personagem, essencial nos bastidores do mundo dos desfiles, é Angèle (Ella Rumpf), maquiadora que sonha tornar-se escritora, escrevendo histórias sobre as diversas pessoas que conhece no concorrido ambiente da moda, que ela observa tão de perto.
Estas três personagens esbarram-se ao longo do filme sem realmente conectar-se, o que é uma das razões pelas quais esta produção se mostra um bocado fria. Nem mesmo a súbita ligação de Maxine com seu diretor de fotografia (Louis Garrel) ganha qualquer temperatura, apesar da urgência do contexto em que ela acontece - afinal, Maxine não sabe o quanto este câncer vai afetar o resto de sua vida.
Vivendo uma personagem com notórias ligações com sua própria experiência com o câncer, Angelina não parece de modo algum entregue a esta atuação. Ela parece pairar sobre a história um tanto vagamente, um tanto artificialmente. Mais verdade existe na atuação de Anyier Anei e de Ella Rumpf - esta última, de longe a personagem mais interessante do filme, a quem, infelizmente, a história não dá tanto destaque.
Muito melhor fez Robert Altman em 1994, com seu instigante Prêt-à-Porter, em que dissecava sem dó a superficialidade que acomete tantos estilistas, jornalistas e modelos, com a verve e acidez que eram marcantes no saudoso mestre norte-americano. Aliás, humor é coisa que inexiste em Vidas Entrelaçadas.
