As ruas vazias de Recife e Olinda, filmadas em preto-e-branco, dão a ideia da melancolia de quando o carnaval foi cancelado em 2021, por conta da pandemia de covid-19. O documentário O Ano em que o Frevo Não Foi pra Rua dá ideia não apenas da frustração coletiva como pessoal, em especial a figuras caras da festa, daquele momento que se repetiu em 2022.
Dirigido por Bruno Mazzoco e Mariana Soares, o documentário alterna imagens de quando o carnaval não tomou as ruas das duas cidades e de entrevistas com seu Zacarias, porta-estandarte do Galo da Madrugada, considerado o maior bloco carnavalesco do mundo; Carlos da Burra, responsável por carregar o mais importante de todos os bonecos de carnaval, o místico Homem da Meia-Noite; Nena Queiroga, cantora e compositora dos trios elétricos do Galo da Madrugada; e Zé da Macuca, fundador do Boi da Macuca, falecido em 2021 e homenageado no carnaval de Olinda de 2023.
Das histórias particulares com o carnaval surge o denominador comum, da festa enquanto manifestação cultural e social, e de sua importância econômica, gerando turismo. Assim, O Ano em que o Frevo Não Foi pra Rua é um filme mais de observação, marcado pela bela fotografia de Camilo Soares e Edver Hazin, que, na reta final do filme, explode no colorido vibrante da retomada da festa em 2023. Já a trilha sonora de Diogo Felipe foi premiada no Cine PE.
Ainda assim, teria certo ganho documental e narrativo mostrar a preparação para a retomada do carnaval naquele ano, e o que isso representou, contrastando com a melancolia e o sentimento de resistência que domina o filme, deixados de lado só nesse epílogo em cores.
