18/07/2026
Terror Suspense

Exit 8

Ao sair de um vagão de metrô abarrotado de gente, um homem recebe a ligação de sua ex-namorada contando que está grávida. Depois disso, quanto tenta sair da estação, descobre que está preso num jogo perverso nos corredores do local.

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Como os corredores Escherianos do famoso game Exit 8 poderiam chegar ao cinema? O jogo em primeira pessoa, cujo objetivo é sair de dentro de uma estação do metrô de Tóquio, tem pouco de cinematográfico, e o filme de Genki Kawamura deixa isso claro, em seus infindáveis 90 minutos de um longa que poderia se resolver como um curta.

A graça de um videogame está em jogar, e muitos filmes mais parecem assistir a alguém jogando do que uma adaptação realmente cinematográfica. Só não se pode culpar o diretor Kawamura, que assina o roteiro com Kentaro Hirase, de não tentar. Para o longa, ele cria um protagonista, conhecido como Homem Perdido (Kazunari Ninomiya), que assume o posto do jogador e ganha uma história de pano de fundo. 

Num vagão de metrô lotado, no horário de pico, um bebê chora estridentemente, alguém reclama. Pessoas cansadas, suadas e apertadas no corredor da composição. Muita gente sai apressadamente na plataforma da estação, se acotovelando. Todo mundo quer ganhar a rua. Nesse momento, o protagonista recebe uma ligação da ex-namorada dizendo que está grávida, e o choque é tão grande que ele é jogado para um espaço-limite: os corredores da estação, em busca da Saída 8.

O número 8, claro, dá a ideia do loop infinito, uma fita Moebius inexplicável, da qual essa metonímia do homem contemporâneo em forma de jogador/personagem precisa sair. Ele descobre que há regras: sempre andar em direção à próxima saída e, quando vir aquilo a que chamam de anomalia, voltar imediatamente. 

O que são essas tais anomalias? Pessoas estranhas, criaturas estranhas, cartazes que não fazem sentido, azulejos desalinhados na parede. Enfim, qualquer coisa que rompa com o chamado normal. Nessa jornada em busca da luz do dia, ele encontra anomalias e outras pessoas que, como ele, parecem presas a esse labirinto maldito.

A fotografia de Keisuke Imamura cria uma realidade própria e asfixiante, sempre muito bem iluminada por uma luz quente. Sem janelas ou qualquer contato com o mundo exterior, os corredores são círculos do inferno que sufocam o sujeito perdido numa metáfora para o mundo contemporâneo com pessoas perdidas em realidades virtuais rolando feeds sem parar, numa rolagem de tela que nunca tem fim. 

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