18/07/2026
Terror

Hokum: O Pesadelo da Bruxa

Escritor de sucesso com bloqueio criativo viaja a uma cidade da Irlanda, onde deverá espalhar as cinzas de seus pais, e, também, espera encontrar um final para sua bem-sucedida série de livros. No hotel onde se hospeda, porém, descobre que há um quarto isolado, pois nele mora uma bruxa.

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As feições de bom moço de Adam Scott são postas à prova em Hokum: O Pesadelo da Bruxa, no qual ele interpreta Ohm Bauman, um escritor arrogante, grosseiro e amargo cujo sucesso parece ter feito dele uma pessoa pior do que já era. Com bloqueio criativo para terminar uma série de livros de sucesso, ele viaja à Irlanda, e se hospeda numa pousada numa cidade onde deverá espalhar as cinzas de seus pais. 

O irlandês Damian McCarthy, que assina o roteiro e a direção do filme, sabe bem como trazer o lado mais sombrio das mitologias e dos símbolos de seu país para uma história de folk horror. É, em sua essência, um filme sobre hotel assombrado, com o diferencial de ser localizado na Irlanda. 

Apesar de escrever tramas de fantasia, Bauman é um sujeito preso ao realismo, o que o torna incapaz de acreditar em lendas e histórias sobrenaturais até se deparar com elas. No hotel, um dos quartos principais está isolado pois ali vive, há anos, uma bruxa. É lógico que o protagonista não acredita nisso, até que precisa confrontar essa lenda como realidade. 

Bauman trata mal a equipe do hotel, em especial o porteiro Alby (Will O’Conell), que tem aspirações a escritor, e pede para o protagonista ler um original seu – a resposta, como é de se esperar, não é nada gentil. A única pessoa com quem ele trava um contato minimamente amigável é a atendente do bar do hotel, Fiona (Florence Ordesh).  Se alguém imaginava que poderia surgir um romance daí, a ideia é dissipada quando a jovem desaparece numa festa de Halloween. 

A partir daí, McCarthy tem dificuldades de lidar com elementos do gênero, não consegue trazer qualquer frescor, apesar de suas premissas, e passa a se apoiar em sustos baratos com figuras horroríficas que não se sobressaem dos clichês. Fora imagens de drone da Irlanda, o filme não explora muito da particularidade do cenário. As possibilidades são desperdiçadas e a única referência mais concreta é um livro de folclore que pertence a Fiona. Fora isso, Bauman é um personagem que se move no surrado território do trauma que se materializa para assombrá-lo. Melhores filmes de terror sobre escritor com bloqueio criativo e preso num hotel já foram feitos. Alguém disse O Iluminado

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