02/07/2026
Drama

Nino de Sexta a Segunda

Nino está completando 29 anos. No dia desse aniversário, ele recebe o diagnóstico de um câncer na garganta, motivo pelo qual deve tomar uma série de decisões. Ao longo desse final de semana crucial, ele encontrará diversas pessoas, como a ex-namorada, a mãe e amigos que lhe prepararam uma festa. Nos cinemas.

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Em seu longa de estreia, a diretora Pauline Loqués faz um exercício de intensidade dramática concentrado no tempo para dar conta do relato de seu protagonista em Nino, de Sexta a Segunda - uma história de doença e risco de morte mas também de descoberta das próprias forças.

O protagonista é Nino Clavell (Théodore Pellerin), que no dia de seu 29º aniversário recebe um drástico resultado de exame: tem um tumor na garganta. É uma hecatombe que se precipita sobre sua cabeça, ao mesmo tempo em que médicos despejam um turbilhão de informações, que ele não tem qualquer capacidade de digerir. Dizem-lhe que ele é jovem e o tratamento tem tudo para dar certo mas também que deve decidir se guarda seu sêmen porque os medicamentos afetarão a capacidade de reprodução. Tudo muito técnico, mas rápido demais para que ele possa absorver. Ele terá um fim de semana para destrinchar tudo isso.

Essa compressão no tempo diante de uma doença potencialmente fatal logo sugere a lembrança do sensível Cléo das 5 às 7, de Agnès Varda (1962), com a diferença de que a expectativa da protagonista daquele filme aguardava o resultado de um exame. Aqui, Nino sabe o resultado, só precisa decidir se encara o tratamento. 

O resultado também cai sobre sua vida como um raio. Naquela sexta-feira de aniversário, um amigo (William Lebghil) lhe prepara uma festa-surpresa, ele encontra sua mãe (Jeanne Balibar),reencontra sua ex-namorada (Camille Rutherford), revê uma antiga colega de escola (Salomé Dewaels), perde suas chaves, socorre um zelador infartado. Uma série de encontros e incidentes capazes de manter funcionando o gatilho da história, que tem no canadense Théodore Pellerin um intérprete refinado, sensível, perfeito para sintetizar um drama essencialmente humano e muito comum.

É notável como a diretora mantém um equilíbrio entre intensidade e contenção em todas estas situações, enfatizando a dificuldade de Nino de compartilhar sua situação. Há eventuais explosões sentimentais, mas nenhum excesso nestes contatos do protagonista com diversas pessoas, às quais ele hesita contar o grande drama que está vivendo neste momento - há uma grande solidão em estar no lugar onde ele está e o filme se apropria deste sentimento com uma tremenda honestidade e nenhuma pieguice. 

Por todos esses méritos, o filme, que integrou a Semana da Crítica em Cannes 2025,  venceu, merecidamente, dois César: melhor filme de estreia e ator-revelação para Pellerin. 

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