02/07/2026
Drama Biografia

Hungria - A Escolha de um Sonho

Gustavo é um jovem que sonha em ser músico, embora a profissão não seja incentivada por sua família. Ainda assim, ele não desiste e procura uma maneira de se lançar como rapper.

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Gustavo da Hungria Neves é mais conhecido por seu nome artístico Hungria Hip Hop. Nascido na Ceilândia (Brasília) em 1991, ele pensava em ser músico desde pequeno. O filme Hungria – A Escolha de um Sonho, de Izaque Cavalcante e Cristiano Vieira, poderia ser a chance de mostrar a um público ainda maior quem é o artista, mas o longa patina em sua falta de personalidade, tornando-se só mais uma cinebiografia que segue a cartilha do gênero e desperdiça o carisma de Gabriel Santana, que faz o protagonista.

O roteiro de Vieira e Jonah Costa contenta-se em ser apenas mais uma história de superação como tantas outras contadas pelo cinema, sem qualquer particularidade que a eleve para além do clichê do jovem de periferia seguindo atrás de um sonho. É um tema importante, claro, e, por isso mesmo, merecia um tratamento mais bem trabalhado. 

A falta de uma delimitação que sirva como espinha dorsal estruturada faz com que o filme atire para vários lados sem se aprofundar em nenhum. O Hungria do filme é um adolescente claramente talentoso mas sem saber como percorrer o caminho das pedras. Eventos se acumulam, encenados por personagens genéricos que mereciam mais personalidade, como a irmã que tem uma visão de mundo totalmente diferente da dele – ela acredita que a ascensão vem pelo estudo, enquanto ele defende que é pela fama. Isso aparece, como tantas outras coisas, de forma quase banal em cena. 

Autodenominando-se o "playboy do rap," a jornada de Hungria é, na verdade, rumo à ostentação, e a música é o instrumento que permite isso. Ao menos, é como acontece no longa. Se na vida real foi diferente, pouco importa. Conta o que se vê na tela, e na tela a cinebiografia é, basicamente, laudatória, apontando que mesmo os atos fora da lei – como o furto de roupas numa pequena loja – são justificáveis quando se tem um sonho. 

Se o Hungria do filme está lutando contra o sistema, o longa se encaixa exatamente num sistema de gênero cinematográfico de biografias chapas-brancas, que supostamente mostram como o biografado venceu a opressão e as dificuldades e agora é merecedor do sucesso. Enfim, mais um filme que serve, ao final, como elogio à meritocracia.

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