O francês Olhe o mar começa até promissor. Milo (Ewan Bourdelles) é um adolescente de 16 anos que leva uma vida normal para qualquer pessoa de sua idade, tem amigos, vai à escola, ama o mar e surfar. Mas o diagnóstico de uma condição irreversível e inoperável muda tudo. Em pouco tempo, não irá mais enxergar.
O diagnóstico, a princípio, coloca a família em estado de negação. Seus pais, Chris (Audrey Fleurot) e Antoine (Dany Boon), procuram saídas que não existem. Mas é preciso pensar no futuro, como encontrar uma escola inclusiva onde Milo possa estudar. Mas, antes de mais nada, antes mesmo de encarar a realidade, a mãe resolve que a família merece um passeio junta, talvez a última vez que o rapaz veja o mar.
Diante dessa premissa, que parte de um filme mexicano de 2018, o roteirista e diretor Emmanuel Poulain-Arnaud arma uma inacreditável comédia e toma algumas das decisões mais sem graça possíveis, desviando o foco do processo de Milo de adaptação a uma nova realidade, interessando-se mais pela relação conturbada dos pais, que estão separados. Será que vão reatar? Quem se importa?
A condição do rapaz servindo de pretexto para reunir os pais é um golpe baixo, que só evidencia o humor fraco e as situações frágeis que tentam construir a narrativa. Boon, por exemplo, é um conhecido ator e diretor de comédias na França. Como intérprete e cineasta, ele é o tipo que desconhece sutilezas, transferindo esse modus operandi para cá.
Não será de se espantar que logo Hollywood faça o seu remake, forçando ainda mais na pieguice, e errando ainda mais no humor, como sempre acontece. Há um potencial na história, mas ainda nenhum dos filmes que saíram dela souberam como lidar com o tema.
