05/06/2026
Romance Fantasia

100 Noites de desejo

Mesmo casada há um tempo, o marido de Cherry não consumou a união, e, quando está prestes a partir em viagem, aposta com um outro rapaz que este não conseguirá seduzir a jovem. Para evitar que isso aconteça, a aia Hero, que vive um amor recíproco com Cherry, conta histórias para distrair o sedutor.

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Apesar do desenho de produção e figurinos criativos, 100 Noites de Desejo nunca se eleva de patamar, mesmo partindo de um material complexo e inteligente, a HQ 100 Noites de Hero, da britânica Isabel Greenberg. Escrito e dirigido por Julia Jackman, o longa se constrói como um conto de fadas feminista, mais enamorado de suas imagens oníricas do que de sua narrativa, repleta de tropeços.

Certamente, não é fácil transpor o universo de Greenberg para cinema. Seu livro é repleto de camadas e histórias, abrindo com um Deus Homem-Ave mesquinho, que quer destruir os humanos criados por sua filha, chamada de A Menina. Nesse mundo está Cherry, uma jovem esposa cujo casamento, com o príncipe Jerome (Amir El-Masry), não se consumou – melhor para ela, pois é apaixonada por sua Aia. Quando o marido faz uma aposta com um conhecido para seduzir sua mulher, Cherry (Maika Monroe) se desespera e, com a ajuda de Hero (Emma Corrin), passa cem noites contando histórias para distrair o homem, e assim, ele se esquece de seduzir a mulher.

Essa moldura básica está no filme – embora as histórias contadas por Hero sejam de um número bem menor –, mas Jackman tem dificuldades em conjurar esse universo, e um especial apreço em escalar atrizes e atores bonitos para todos os papéis. Assim, o apostador, Manfred, é interpretado por Nicholas Galitzine, jovem galã do momento, o que faz que Cherry se interesse por ele, balançando o relacionamento com Hero.

Uma das histórias-dentro-da-história contada por Hero é protagonizada por Rosa (Charli XCX, cantora que tem feito escolhas interessantes no cinema), uma das cinco irmãs que esperam um marido. Outra narrativa tem a ver com a avó de Hero e uma sociedade de contadoras de histórias, que repassam essas narrativas orais de geração a geração.

Claramente inspirado em As 1001 Noites, o filme celebra essa tradição de contar histórias como uma ferramenta de empoderamento feminino. É a resistência à opressão do patriarcado e o campo da utopia, tudo isso muito bem embalado, mas pouco consistente. As paixões que assolam as personagens nunca soltam fagulhas, é tudo muito simples, quase pudico, desperdiçando o universo lúdico em que a trama se dá. 

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