29/07/2026
Comédia Drama

As Cores do Tempo

Descendentes de uma mulher que viveu no final do século 19, Adèle Meunier, são convocados para decidir o futuro de uma casa campestre, deixada por ela e fechada há décadas. Ao abrirem a casa e descobrirem fotos e outros objetos, seus descendentes reexaminam sua própria história e experiências. Nos cinemas.

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Cédric Klapisch é um diretor prolífico e com habilidade mais do que comprovada para realizar filmes que seduzem o público sem perder de vista uma certa sofisticação intelectual. É o que acontece em As Cores do Tempo, em que ele divide a autoria do roteiro com o argentino Santiago Amigorena, para compor uma fantasia romântico-dramática que atravessa o tempo e conecta as memórias das diferentes gerações de uma família. 

Nos dias atuais, 30 descendentes de uma mesma mulher, nascida no final do século 19, são convocados. Eles são herdeiros da casa de sua ancestral, Adèle Meunier, que fica na Normandia e se tornou objeto da cobiça de incorporadores imobiliários, que ali querem construir o estacionamento de um hipermercado.

Quatro representantes desses primos, que não se conheciam, são encarregados, numa reunião, via zoom, para intermediar as tratativas: o fotógrafo Seb (Abraham Wapler), o apicultor Guy (Vincent Macaigne), a executiva Céline (Julia Piaton) e o professor Abdel (Zinedine Soualem). Juntos, viajam para conhecer a casa campestre de Adèle (Suzanne Lindon), há décadas fechada.

Fotos e outros objetos encontrados na casa abrem uma espécie de portal no tempo, permitindo ao filme mostrar também as aventuras dessa jovem interiorana, nascida em 1873, que aos 21 anos parte para Paris para descobrir quem, afinal, é a mãe que nunca conheceu. Ela foi criada pela avó, que acaba de morrer. 

No caminho, num barco, ela conhece dois jovens da província também ansiosos para descobrir Paris: o pintor Anatole (Paul Kircher) e o fotógrafo Lucien (Vassili Schneider). Juntos, eles formarão um trio que empreende a descoberta dessa Paris da Belle Époque em que floresciam talentos como o fotógrafo Félix Nadar (Fred Testot) e o pintor Claude Monet (Olivier Gourmet). 

A delícia do filme é essa oscilação entre épocas, alternando as experiências do quarteto de primos atuais e entre Adèle e seus amigos, transformando a história numa experiência que reavalia os valores que se cristalizaram em nossa época, sem perder de vista os sentimentos humanos, que podem não ter mudado tanto assim. 

Há também uma saudável janela para uma reflexão sobre papéis de gênero, tendo em vista os conflitos de Adèle com a descoberta da verdadeira profissão de sua mãe, Odette (Sara Giraudeau), e suas próprias sensações entre o amigo Anatole e o namorado que deixou na Normandia, Gaspard (Valentin Campagne, prêmio de melhor ator em Cannes pelo ainda inédito Coward, de Lukas Dhont). 

As Cores do Tempo passou fora de competição em Cannes, festival que notoriamente sempre esnobou Klapisch ao longo de sua carreira, que acumula diversos sucessos de público, caso da trilogia Albergue Espanhol (2002), Bonecas Russas (2005) e O Enigma Chinês (2013), além de Paris (2008) e do pioneiro sucesso mundial, O Gato Sumiu (1996). As Cores do Tempo, mais uma vez, foi consagrado pelas platéias francesas, vendendo quase 1 milhão de ingressos nos cinemas. 

É realmente um filme muito agradável de ver, que se equilibra entre uma aura nostálgica de respeito ao passado e uma sintonia com preocupações da modernidade, além do mérito de reunir alguns promissores representantes da novíssima geração de atores franceses.

 

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