19/08/2026
Documentário

Mundurukuyü - A floresta das mulheres peixe

Nas margens do Tapajós, no Pará, a floresta das mulheres peixe espelha a mitologia Munduruku, onde humanos, na origem do mundo, se transformaram em floresta, plantas e animais.

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Em uma cena de Mundurukuyü – A Floresta das Mulheres Peixe, um grupo de mulheres dos povos originários andam por uma floresta tendo à frente, uma delas que usa um vestido verde, que no peito traz escrito: “A mãe do Brasil é indígena”. Não poderia have uma imagem melhor para resumir o espírito do documentário dirigido por Aldira Akay, Beka Munduruku e Rylcélia Akay.

As diretoras são da aldeia Sawre Muybu, e formam o coletivo audiovisual munduruku Daje Kapap Eypi. O roteiro, assinado pelo trio da direção e pelo produtor Estevão Ciavatta, constrói uma narrativa de cadência muito própria que convida seu público a entrar num mundo de ancestralidade e diversidade que ressalta a pluralidade do povo, que vive margens do rio Tapajós, no Pará. 

Como dizem as diretoras, o documentário é uma maneira de registrar a tradição oral, mantendo-a para sempre viva e permitindo um acesso maior ainda para as futuras gerações e as pessoas de fora da aldeia. Ao abordar a trajetória e lutas do povo Munduruku, o filme toca no cerne da questão da invasão do território indígena. 

Animações muito bonitas ilustram momentos de histórias narradas oralmente. A montagem, assinada por Luana Bazhuni, prima pela organização formal da construção da história do povo. Já a fotografia de Carlos Araió Nascimento e Priscila Tapajowara evidencia a sintonia dos povos originários com a natureza, construindo algumas imagens de delicada poesia visual.

“Antigamente, [os invasores] matavam nós com armas, hoje, eles atacam com grandes projetos, [...] que são hidrelétricas, o Ferrogrão [é um projeto de ferrovia de 933 km que ligará o Centro-Oeste ao Pará]. Hoje em dia a gente tem mostrado muitos filmes fora de tudo o que acontece dentro do território, as invasões”, diz Aldira Akay ressaltando a importância do trabalho seu e de suas colegas.

É muito interessante como as diretoras são capazes de se valer da modernidade tecnologia para eternizar exatamente a tradição, a ancestralidade. A resistência é registrada em cinema, exatamente, como uma outra forma de resistência ao ressaltar a relevância de sua cultura não apenas para eles que sobrevive aos anos de invasão e destruição. E Mundurukuyü – A Floresta das Mulheres Peixe cumpre com esse objetivo de forma bastante eficiente. 

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