É inegável que Pressão tenha uma premissa, no mínimo, original: o trabalho árduo de um meteorologista militar fazendo previsões para o General Dwight D. Eisenhower, nas semanas que antecedem o Dia D. Partindo disso, o filme de Anthony Maras fica encoberto de nuvens chuvosas ao não saber muito o que fazer ou ter para onde ir, senão para o patriotismo estadunidense. Daí o título: a pressão atmosférica das chuvas, e a pressão sobre essas pessoas decidindo o destino do conflito.
Saber o dia exato em que aconteceu a invasão da Normandia em 1944 é perder o que pode haver de mais empolgante no longa, pois a questão central é em qual dia isto irá acontecer. Sendo essa a maior operação que começou com um ataque vindo do mar, o clima é fundamental. O filme acompanha o embate entre dois meteorologistas: o capitão James Stagg (Andrew Scott), o mais respeitado da Escócia, e o estadunidense Irving Crick (Chris Messina).
Stagg é convocado às pressas e deixa sua casa e sua mulher grávida, para se instalar no local incomunicável onde a operação é planejada. Logo se estranha com Crick, um sujeito mais bem-humorado e menos estoico. As visões que têm sobre a prática da meteorologia são distintas: o primeiro crê que cada situação deva ser analisada individualmente, enquanto o segundo acredita que o tempo segue modelos de acontecimentos anteriores.
Entre eles está Eisenhower (Brendan Fraser), comandando a operação e sem saber em qual dos dois acreditar. Se deve seguir as recomendações de Crick, que jura que não choverá no dia escolhido, embora ele esteja manipulando os fatos para agradar seus superiores, ou as de Stagg, que tem certeza de que cairá um temporal. Os soldados estão prontos, o general inglês Bernard Montgomery (Damian Lewis) está pressionando, dizendo que o adiamento colocará a operação em risco, pois a informação chegará aos nazistas que não serão pegos de surpresa.
Em meio a todos esses homens, destaca-se Kay Summersby (Kerry Condon), secretaria de Eisenhower e a figura mais simpática do filme. Tendo que lidar com o sexismo nesse ambiente repleto de testosterona, ela se sobressai com sua sagacidade e olhar generoso sobre os fatos, tomando o partido de Stagg.
Embora as atuações sejam empenhadas, o filme não supera o fato de a história acontecer em torno de uma discussão que não tem tanta variação. Assim, é repetitivo sem nunca sair muito do lugar. Visualmente, também Maras é pouco criativo, com uma fotografia azulada e uma trilha sonora quase incessante. Há, no entanto, uma ideia de diálogo com o presente, com a ideia da, malfadada, pós-verdade, na medida em que, por exemplo, Crick manipula os dados. Mas para ver isso é preciso esperar que as nuvens da mesmice se dissipem.
