O Sorveteiro poderia até ser um filme, digamos, divertido em sua ideia de slasher, mas Eli Roth jamais se contentaria com um filme divertido, é preciso ser ofensivo e nojento. E, voilá, eis um filme que elenca todas essas características com o bônus de usar inteligência artificial – e ainda assim parecer tosco em seus efeitos gráficos – e ter despertado a ira e inveja do diretor. Ele se doeu por conta de dois terrores dirigidos por youtubers (Backrooms e Obsessão) terem feito muito mais dinheiro – muito mesmo! – e serem bem recebido pela crítica – duas coisas que não aconteceram com o longa de Roth, que também se dá o trabalho de atuar aqui.
Com uma clara influência de A Hora do Pesadelo, o longa tem como personagem central o sorveteiro (Ari Millen), que chega à pacata Bayleen Bay, com seu caminhãozinho de sorveteiro e figurino, ambos à la anos 50, ao som de um jingle grudento. Democraticamente, entrega sorvetes às crianças depois de um jogo de beisebol, mas a iguaria transforma-os em zumbis assassinos que matam pais e professores.
Jared (Charlie Zeltzer) é um menino com intolerância à lactose que não pode tomar os sorvetes, por isso escapa da zumbificação, e com outras pessoas que evitaram o doce. Juntos tentam fugir exército de crianças zumbis assassinas, e gosto de Roth por decapitações e desmembramentos, pois o filme se resume a isso. Há uma explicação esdruxula dos propósitos do sorveteiro dada por um padre (Benjamin Byron Davis) escondido numa câmara frigorífica.
Todo o hate que o filme tem recebido é mais do que merecido. O Sorveteiro é tolo e derivativo, com uma espécie de humor dos anos de 1990 que nem faz sentido hoje em dia. Fora isso, embalado pela arrogância de seu criador se torna o tipo de produto que deveria ser desejado diretamente em algum streaming, poupando as salas de cinema.
