13/09/2026
Documentário

Viva Marília

Marília Pera fez seu nomes atuando numa enorme variedade de peças, musicais, filmes e novelas. O documentário resgata a trajetória da artista, que morreu em 2015.

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Marília Pêra era uma artista plural. Não apenas atuava, mas cantava e dançava, fazendo diversos espetáculos musicais. Sua marca no teatro, cinema e televisão persistirá. O documentário Viva Marília, dirigido por Zelito Viana, e codirigido por Esperança Motta, filha da artista com Nelson Motta (que assina o roteiro), é uma hagiografia bem intencionada, mas que não consegue escapar de um formato quadrado para falar que uma personalidade que era moderna. 

Partindo de uma série de entrevistas dela ao longo de sua carreira, e resgatando imagens de diversos trabalhos seus, o filme ressalta o talento de Marília, entrando um pouco em sua vida pessoal, falando de passagem dos casamentos, e um pouco mais dos filhos. Mas deixa de lado polêmicas que envolveram sua trajetória, por exemplo, quando ela sofreu represálias, inclusive na porta do teatro, por apoiar o candidato Fernando Collor de Mello, na eleição de 1989. Ou o burnout que sofreu enquanto gravava a novela Supermanoela, em 1974, quando pediu para sair da produção, e como “punição” ficou afastada das novelas por quase 15 anos. 

Viva Marília é rico no material que traz, contando a história da artista desde a infância. Filha de um ator de teatro português imigrado para o Brasil, ela estreou nos palcos com apenas 4 anos, com os pais, que faziam parte da companhia de Henriette Morineau, na qual chegou a fazer uma das filhas de Medéia. No teatro interpretou personagens como Carmem Miranda, Coco Channel e Maria Callas. 

Como é codirigido por sua filha, não é de se estranhar que seja uma carta de amor à artista, com alguns depoimentos bastante sinceros, colhidos ao longo da trajetória. Ela conta, por exemplo, que se sentiu “enganada” por Walter Salles para fazer Central do Brasil. Segundo Marília, o cineasta disse que as duas personagens femininas tinham o mesmo peso, mas quando ela leu o roteiro, percebeu que ficaria fora de cena a maior parte do filme. Ainda assim, topou fazer, pois queria trabalhar com Fernanda Montenegro e Salles.  E, de qualquer forma, sua participação pode ser pequena, mas é marcante, e serve como um alívio cômico num filme tão melancólico.

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