Trinta e um anos depois da adaptação dirigida por Ang Lee, a diretora inglesa Georgia Oakley achou que era hora de voltar novamente ao clássico de Jane Austen, compondo uma versão vívida e sensível da história, publicada em 1811 e escrita pela autora quando tinha não mais de 20 anos.
Austen certamente tinha lugar de fala para escrever um relato em que uma viúva e suas filhas se vêem confrontadas com uma queda de padrão de vida pois só homens, então, podiam ser herdeiros - e assim, as mulheres seriam mandadas para uma casa mais distante e mais pobre. É o que acontece, no livro e no filme, com as Dashwood, a mãe (Caitriona Balfe) e suas três filhas, Elinor (Daisy Edgar-Jones), Marianne (Esmé Creed-Miles) e Margaret (Bodhi Rae Breathnach). Depois da morte do patriarca, quem herda sua propriedade é um filho mais velho, de um primeiro casamento, John (Tom Brooke), que lhes destina uma pequena renda atual, a menor possível, pela pressão de sua ambiciosa esposa, Fanny (Stacy Martin), e se apodera da casa onde elas sempre viveram.
As Dashwood se vêem, assim, constritas a mudar-se para bem longe, numa casa modesta, alugada por intermédio de uma parente distante, a sra Jennings (Fiona Shaw) - que tem a vantagem de ser divertida e acolhedora.
A mudança tem uma desvantagem para Elinor, que começara uma amizade promissora com Edward (George MacKay), irmão de Fanny, que não vê com bons olhos essa proximidade. A impulsiva Marianne, por sua vez, está no centro do interesse de dois homens totalmente opostos, o jovem e galante Willoughby (Frank Dillane) e um discreto coronel (Herbert Nordrum), que conhece no novo ambiente.
O filme é saboroso na forma como retrata estes relacionamentos, trazendo à tona as dificuldades da existência feminina num contexto de limitações legais, preconceitos e também precariedade financeira, o que tornava o casamento uma espécie de necessidade de sobrevivência. As atrizes também conseguem encarnar com personalidade as diferenças marcantes entre a prudente e sensível Elinor, que funciona como uma espécie de centro do clã Dashwood, e a intempestiva Marianne, um furacão de vontades e sentimentos.
Mas toda a engrenagem que torna atraente o romance funciona também aqui, na torcida que provoca pelo sucesso dos desejos de Elinor por Edward e pela felicidade de Marianne, ao cabo de suas tentativas e erros.
A direção de fotografia de Arnaud Potier e a montagem de Izabella Curry completam a moldura de uma produção requintada e bem-sucedida, que não sofre do mofo e da poeira dos filmes de época convencionais.
