16/09/2026
Comédia Drama

Era Uma Vez Minha 1ª Vez

Teresa, Clara, e Tuca estão prestes a terminar o ensino médio. Mas, antes disso, decidem que perderão a virgindade. Para isso, contam os conselhos da amiga Patty, mais experiente no assunto.

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Lançada originalmente em 1994, a série Confissões de Adolescente era um programa à frente do seu tempo, especialmente para a televisão brasileira, ao dar voz e protagonismo a quatro jovens adolescentes falando sobre suas vidas, amores, descobertas e angústias. Embora a falta de diversidade, hoje, seja notória, o seriado marcou gerações com seu progressismo, tocando em temas como sexualidade, aborto, drogas, transformações do corpo e afetividade, ganhando uma adaptação cinematográfica em 2014. Mais de trinta anos depois, o longa Era uma vez minha primeira vez, parece ter se inspirado no clássico noventista, mas sem a mesma coragem. 

Dirigido por Claudia Castro, com um roteiro assinado por João Paulo Horta e Thalita Rebouças, inspirado no livro dela, o filme não é tão audacioso como seu título pode dar a entender. Teresa (Letícia Braga), Clara (Castorine) e Tuca (Lívia Silva) estão no último ano do ensino médio, e decidem que é hora de perder a virgindade antes de ir para faculdade – o curso para o qual pretendem prestar vertibular ainda nem foi escolhido. Para isso, pedem conselho à amiga Patty (Duda Matte), experiente no assunto.

Se, por um lado, é bom, em tempos de retrocessos de políticas de gênero, ver quatro jovens mulheres encarando de frente sua sexualidade, por outro, o filme trata tudo da maneira mais superficial possível. Fora se situar num mundo onde todos e todas estão muito bem de vida, numa conforável classe média alta, o longa evita qualquer questão mais complexa. Algumas vezes, ameaça tratar de racismo, mas logo desvia disso, afinal, parece complicado demais. Também quase aborda gravidez na adolescência mas, pra que, né?

Assim, a busca das jovens pela primeira vez transita entre as frustrações – pela perda da virgindade não ser exatamente como idealizaram ou por não se conseguir perder a virgindade (e tá tudo bem) – e as dúvidas. Tudo se dá num ambiente quase que completamente destituído de adultos, o que, obviamente, facilita a vida dos e das adolescentes, e com dinheiro mais do que suficiente para que não seja necessário se preocupar com isso. 

O quarteto de atrizes-protagonistas é empenhado, e elas já mostraram em outros trabalhos terem muito talento. A elas, soma-se Duda Pimenta, como Mirela, a personagem mais interessante do filme. Já os meninos, por sua vez, são clichês ambulantes sem qualquer força para se destacarem enquanto personagens. E isso nem é um problema, exatamente. Mas as boas intenções do filme, assim como sua promessa de ser algo mais mente aberta, se perdem num longa completamente descolado da realidade. 

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