28/10/2026
Fantasia

Cartório das Almas

Numa época indeterminada em que a vida eterna se tornou tecnicamente possível, acompanha-se Laura, uma mulher que, apesar da aparência jovem, tem 126 anos. Ela comanda uma estranha repartição em que pessoas que se cansaram de viver podem procurar uma peculiar forma de extinção. 

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Ambientado numa época indeterminada em que a vida eterna se tornou tecnicamente possível, Cartório das Almas, de Leo Bello, acompanha Laura (Gabriela Corrêa), uma mulher que, apesar da aparência jovem, tem 126 anos. Ela comanda uma estranha repartição em que pessoas que se cansaram de viver podem procurar uma peculiar forma de extinção. 

Como é habitual em filmes de gênero, a direção de arte (assinada por Maíra Carvalho) e a fotografia (de Pedro Maffei) são as chaves para instaurar o clima deste mundo estranhamento sombrio, de cores descoradas, que em alguns momentos tem um toque de faroeste - com a chegada a cavalo do supervisor do cartório, que vem recolher regularmente os dados das pessoas que optaram por deixar de existir. 

A chave para esta desesperança em continuar vivendo está num efeito colateral desta eternidade - para não envelhecer, as pessoas devem submeter-se regularmente a banhos de uma substância branca, semelhante ao leite, mas que tem o efeito colateral de apagar suas memórias do passado. Continuar vivendo eternamente significa, portanto, não se lembrar de onde se veio, quem são seus familiares e amigos, o que se viveu - uma existência sem identidade, planos nem esperanças, que inquieta também Laura.

O roteiro, assinado por Leo Bello, não oferece muitas explicações, preferindo investir na criação de uma atmosfera inquietante, baseada na fotografia, nos efeitos sonoros e na onipresença de pássaros - que têm a ver com o método da extinção humana. Mostra, assim, influências de um cinema como o de Yorgos Lanthimos, também no despojamento emocional, que não chega tão longe quanto nos filmes do cineasta grego.  

No Festival de Brasília 2023, onde teve sua première, a ficção científica levou o troféu de melhor longa-metragem pelo Júri Popular e os Candangos de melhor edição de som (Olivia Hernandez) e de melhor direção de arte (Maíra Carvalho).



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