A beleza visual da animação O Bosque Selvagem é inegável. Produzido pelo estúdio Laika, o filme tem a mesma excelência de longas como Coraline e o Mundo Secreto e Kubo e as Cordas Mágicas, as principais obras da casa. A técnica de stop-motion traz textura, complexidade e sofisticação à animação, que, no quesito narrativa, se perde em coisas demais, e uma trama um tanto convencional.
Dirigido por Travis Knigh – fundador da Laika, e filho do fundador da marca Nike, Philip H. Knight –, o longa parte do romance homônimo de Colin Meloy, e traz uma trama envolvendo a tensão entre o mundo da fantasia e o mundo realista. Prue é uma adolescente de 13 anos cujo irmão menor é raptado por uma horda de corvos, e levado para um local limítrofe em Portland, onde vivem.
Essa floresta mágica é um local proibido nos arredores da cidade onde seres mágicos representam um perigo a humanos. Ao lado do amigo Curtis, Prue, no entanto, não se deixa intimidar, e se embrenha na densidão das árvores a procura do irmão caçula.
O local mágico é repleto de opções estéticas que Knigh explora transitando entre a luz e a sombra. Alexandra Svik, por exemplo, é a principal antagonista, uma governante marcada pelo trauma da perda que a transformou numa mulher má, e ao centro de uma conflito político entre diversos povos.
Há momentos um tanto soturno demais para crianças pequenas, mas é exatamente nisso que O Bosque Selvagem ganha pontos, ao abraçar o lado sombrio de seus personagens, colocando-os como figuras complexas e repletas de nuances, assim, sua humanidade é elevada, e o filme expande suas possibilidades estéticas e narrativas.
