24/06/2026
Drama

Meninas não Choram

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Filmes sobre adolescentes com problemas familiares e sociais são sempre difíceis de serem realizados com sucesso. Os chavões do gênero e os pequenos dramas maçantes das protagonistas se proliferam nessas tramas, tornando esse tipo de produção apenas mais um passatempo pouco atraente para o público. Ainda mais quando uma das personagens principais é movida única e exclusivamente por fortes emoções, inconcebíveis no cotidiano de jovens comuns.

E neste rol está listado o primeiro trabalho da alemã Maria von Heland, Meninas não Choram. Apesar de ser sabidamente voltado para o público jovem e possuir certa preocupação dramática na trama, o filme não passa de mais um olhar complacente e bastante convencional sobre o mundo adolescente. Repleto de canções juvenis e dono de uma estética exageradamente televisiva e "cool", não é um bom cartão de apresentação de sua autora.

No entanto, mesmo o pouco entusiasmo que provoca não impede que o filme possa ter um bom desempenho comercial. Com uma história simples, elenco carismático e romances pueris, tudo se torna no fim uma grande novela juvenil, bem ao estilo da TV aberta brasileira. Some-se a isso a pouca importância que o público lança a pequenos detalhes, como os consecutivos erros de continuidade e a pouca explicação sobre as motivações da protagonista.

Fala-se aqui de Steffi, uma jovem feliz e com uma família harmoniosa, que sempre anda acompanhada de sua melhor amiga Kati. Seu mundo adolescente de 17 anos é destruído quando descobre a infidelidade de seu pai. Em vez de contar a mãe ou simplesmente ir conversar com seu pai, Steffi prefere criar um plano cruel para infernizar a vida da amante, do homem e até da filha da mulher, que não tem absolutamente nada a ver com isso. Sobra, claro, até para Kati, que não consegue conter a vingança da amiga.

Como a personagem não é muito bem trabalhada, principalmente no que tange o conflito ético, tudo fica muito jogado. E mais do que isso, o filme simplesmente não engrena, apesar das diversas situações perigosas às quais se expõe. Chega até a se envolver com um serial killer que fotografa moças nuas em um prédio abandonado e se droga em festas promovidas no submundo alemão. Tudo isso com uma boa dose de moral e pedidos reiterados de "use camisinha". O que dá a produção um ar bastante politicamente correto.
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