08/06/2026

Cinemateca realiza grande mostra de cinema mudo

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Começa nesta sexta (8) a II Jornada Brasileira de Cinema Silencioso, na sede paulistana da Cinemateca Brasileira. Trata-se de um dos raros festivais dedicados exclusivamente ao cinema mudo – são apenas três no mundo, sendo os outros em Bristol, Inglaterra, e Pordenone, Itália. Em sua edição inaugural, em 2007, a jornada paulistana atraiu 5.000 espectadores.

Uma das novidades deste ano será a seção Janela para a América Latina, dedicada à divulgação da cinematografia silenciosa dos países do continente. Uma de suas atrações será o filme mexicano El Puño de Hierro (1927) (foto), de Gabriel Garcia Moreno. No enredo, um jovem recebe uma injeção de morfina e tem um sonho cheio de peripécias, que misturam influências dos seriados de aventura, de filmes de gângster e das fitas de vanguarda da época.

Em comemoração ao centenário da imigração japonesa no Brasil, a Jornada apresentará clássicos silenciosos do cinema japonês, com longas-metragens de Kenji Mizogushi (Terra natal, 1930), Tomu Uchida (Policial, 1933) e Minoru Murata (A sereia, 1934), além de curtas-metragens de Yasujiro Ozu e Mizoguchi. Está previsto também um programa de filmes de animação da década de 1920, com precursores do animé.

Destaques de Pordenone
Realizada anualmente em Pordenone, a Giornate del Cinema Muto é o maior evento mundial do gênero. A partir deste ano, a Jornada Brasileira de Cinema Silencioso abre um espaço permanente para a exibição de alguns programas daquele evento, escolhidos por Livio Jacob, presidente do festival italiano, e seu grupo de curadores. Dentre os filmes sugeridos, serão apresentados o western colorido Redskin (1929), de Victor Schertzinger, a comédia O cara sentimental (1919), de Raymond Longford, Lucky star (1929), de Frank Borzaga, e os curtas russos Depois da morte e Devaneios (ambos de 1915), de Evgenij Bauer.

Os 80 anos do pioneiro Chaplin Club, do Rio de Janeiro, serão lembrados numa seleção dos filmes, como Aurora (1927), de F.W. Murnau, Braza dormida (1928), de Humberto Mauro - que será projetado em cópia nova colorida, especialmente realizada para a II Jornada - e Limite (1931), de Mário Peixoto, cineasta cujo centenário é comemorado este ano.

Entre as atividades paralelas, estão previstas mesas de debate temáticas, sobre significação histórica do Chaplin Club, o cinema japonês e as casas de espetáculo em São Paulo no início do século XX. Além disso, um espaço educativo oferecerá ao público infanto-juvenil a oportunidade de entrar em contato com aparelhos de pré-cinema e de participar de oficinas de construção de brinquedos ópticos e de teatro de sombras.

A Cinemateca fica no Largo Senador Raul Cardoso, 207, Vila Clementino. Telefones: (11) 5084-2153, 5084-2177, 5084-2318. Maiores informações sobre os filmes e horários de exibição estão no site: www.cinemateca.gov.br

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