Este ano, o festival traz ao público mais de 200 obras, entre longas e curtas-metragens, filmes de ficção e documentários, que abordam os mais diversos temas relacionados à diversidade sexual, dos mais variados gêneros (drama, terror, pornô, comédia, etc). Além da exibição de filmes, estão previstas uma série de atividades paralelas, que vão da realização de oficina de roteiro (Fucking Different São Paulo), shows musicais (Mix Music), debates e também o tradicional Show do Gongo, apresentado pela atriz Marisa Orth.
Brasil em alta
Este ano, o festival bateu seu recorde na seleção de filmes brasileiros, com 51 produções de todo o território nacional. Na Mostra Competitiva Brasil, participam 20 curtas-metragens. Esses filmes serão avaliados por um júri internacional composto por programadores de festivais no Uruguai, Espanha, Israel, Brasil e Alemanha.
O Panorama Internacional, seção do evento dedicada à exibição de novos longas-metragens que estão circulando em festivais internacionais de cinema e no circuito GLBT, apresenta uma significativa seleção de documentários que tem como tema acontecimentos e personagens que contribuíram para a construção de um histórico da cultura gay. Entre os destaques estão Combinação Selvagem: um Retrato de Arthur Russell, dirigido por Matt Wolf sobre Arthur Russell, músico cuja obra póstuma vem sendo resgatada nos últimos anos. Pioneiro da disco music, Russell fez parte da primeira geração de músicos que se apresentou no lendário centro cultural The Kitchen, reduto de experimentações, onde também aconteceram as primeiras exibições de videoarte em Nova York.
O Universo de Keith Haring, de Christina Clausen, retrata o lendário artista nova-iorquino, que ganha notoriedade, no final dos anos 70, ao grafitar a giz as estações de metrô de Nova York. Suas primeiras exposições acontecem a partir de 1980, no Club 57, que se torna o ponto de encontro da elite vanguardista da época.
Ainda no âmbito documental será exibido Pelada com Véu, de David Assmann e Ayat Najaf. Filme vencedor do Teddy Award (prêmio do júri e público) do Festival de Berlim e exibido no prestigiado festival de documentário canadense Hot Docs. Acompanha um time de futebol feminino amador de Berlim que decide disputar a primeira partida de futebol feminino no Irã.
Mostrando a trajetória do astro pornô Jack Wrangler apresenta-se Wrangler: Anatomia de um Ícone, de Jeffrey Schwarz. E o caso conhecido como Cairo 52, escândalo de repercussão internacional, onde 52 gays egípcios foram presos na Queen Boat (boate flutuante, que ficava no rio Nilo), é tema de Affair no Cairo, dirigido por Maher Sabry.
Na ficção
Entre os trabalhos ficcionais, destaca-se Nas Ondas de Newcastle, de Dan Castle, que retrata a descoberta da sexualidade na adolescência, e Segredos de Halloween, de Gabriel Fleming, sobre uma noite de halloween na vida de jovens em busca de novas experiências.
Ainda no Panorama Internacional, o festival apresenta Otto; ou Viva a Gente Morta, de Bruce LaBruce. O diretor canadense, que já esteve em São Paulo para uma retrospectiva de seu trabalho promovida pelo Festival Mix Brasil, volta à cidade para apresentar o seu filme mais recente, cuja première mundial deu-se nos festivais de Sundance e Berlim.
Nesta edição, o Mix Brasil apresenta uma programação especial no MAM (Museu de Arte Moderna) coincidentemente num ano de Bienal, e retorna à sua primeira casa, o MIS (Museu da Imagem e do Som). Essa programação, que contou com a colaboração da curadora Kyle Stephan, surgiu da vontade de destacar, no festival, filmes e realizadores que estivessem propondo imagens transgressoras, narrativas inventivas, estéticas ousadas, como uma alternativa à "institucionalização" da cultura gay.
A base da programação exibida no MAM é composta por filmes e vídeos contemporâneos e históricos. Chama-se Rewind, Fast-Forward, Pausa para um Cigarro. Além de longas-metragens, serão exibidos programas de curtas organizados por curadores internacionais: Stuart Comer, da Tate Modern (The Young and Evil), Susanne Winterling (The Fantasy of Failed Utopias and a Girl´s Daydream...), Kyle Stephan (Promiscuous Pop) e uma seleção de curtas de Isabell Spengler, que virá ao Brasil a convite do Instituto Goethe São Paulo.
Entre os longas destacam-se alguns documentários, como o filme feito pela polícia de Mansfield, Ohio, em 1962 em um banheiro público e que foi usado numa investigação que resultou na prisão ou internamente em instituições psiquiátricas de vários homens. Esse material foi encontrado pelo colecionador e cineasta William E. Jones, que vem apresentando publicamente o filme sob o título de Tearoom. Há ainda I-Be Área, de Ryan Trecartin, artista multimídia que foi o mais jovem integrante da Bienal do Whitney Museum em 2006. Finalmente, será exibido no MAM um especial Dora Longo Bahia, artista plástica cujo trabalho estará em evidência na Bienal de São Paulo e no próprio MAM.
Derek Jarman
O 16° Mix Brasil, em sessões exclusivas, presta homenagem ao cineasta e artista inglês Isaac Julien, exibindo o seu mais recente filme Derek. Documentário sobre Derek Jarman, importante cineasta e cenógrafo inglês. Oito anos após a morte do diretor, a atriz Tilda Swinton (ganhadora do Oscar pelo filme Conduta de Risco) escreve e publica uma carta fazendo uma reflexão sobre o estado das artes. O longa desenvolve-se a partir da leitura dessa carta, narrado pela própria atriz.
O festival desenvolve-se em vários locais de São Paulo, como o Espaço Unibanco de Cinema (salas 1 a 4), o CineSesc, a Galeria Olido, o MIS, o MAM, o Centro da Cultura Judaica e outros. Maiores informações sobre a programação, locais e preços de ingressos podem ser obtidas no site: http://www.mixbrasil.org.br
