Outro filme carioca, este de ficção, Praça Saens Peña, de Vinicius Reis, levou os cobiçados prêmios de melhor diretor, melhor filme para a crítica, melhor ator (Chico Diaz), atriz (Maria Padilha) e atriz coadjuvante (Isabela Meireles). Neste caso, foi uma espécie de revanche para o filme de Reis, muito prejudicado por ter sido exibido em DVD por um problema técnico, mas que mesmo assim fez valer algumas de suas melhores qualidades, na dramaturgia.
Outros três troféus vieram para o concorrente paulista, também documental, Um Homem de Moral, de Ricardo Dias, que ficou com o Especial do Júri, além de roteiro e edição de som.
O concorrente paranaense Mystérios ficou com dois troféus: ator coadjuvante (Leonardo Miggiorin) e fotografia. O concorrente baiano Estranhos herdou um solitário prêmio, melhor trilha sonora, de autoria do músico e ator André Moraes (visto no elenco de Os Desafinados, de Walter Lima Jr.).
Curtas
Entre os curtas-metragens 35 mm, destacou-se nas premiações o concorrente paulista Os Sapatos de Aristeu, de Sergio Luiz René Guerra, vencedor dos prêmios de melhor diretor, elenco de atrizes e fotografia. Mas o melhor curta do formato foi o concorrente pernambucano Superbarroco, de Renata Pinheiro, que levou também o prêmio de melhor ator para Everaldo Pontes, repetindo premiação já obtida por ele no Festival de Brasília, em 2008.
Outro concorrente de Pernambuco, Muro, de Tião, recebeu os prêmios de melhor direção de arte, montagem e também o prêmio da crítica. Blackout, de Daniel Rezende (RJ), venceu nas categorias melhor curta para o júri popular e melhor edição de som. Uma menção honrosa foi atribuída à trilha sonora de Nós Somos um Poema, de Sergio Sbragia e Beth Formaggini, que recupera a única parceria entre Pixinguinha e Vinicius de Moraes, composta para o filme Sol sobre a Lama (63), de Alex Viany.
Entre os curtas digitais, outro prêmio para um resgate histórico, este no futebol, veio no troféu Especial do Júri para Um Artilheiro no meu Coração, de Diego Trajano, Lucas Fittipaldi e Mellyna Reis (PE), relembrando o talento do jogador Ademir, que jogou no Sport, no Vasco e no Botafogo e brilhou na seleção brasileira nas décadas de 40 e 50.
Outros digitais premiados foram a animação A Ilha, de Alê Camargo (DF), melhor curta no formato para o júri e a crítica; a animação O Anão que Virou Gigante, de Marão, vencedor do prêmio de melhor direção; e Nello`s, de André Ristum (SP), melhor montagem.
Balanço
De maneira geral, pode-se avaliar que a seleção deste ano do Cine PE apresentou sensível progresso em relação à de 2008, embora ainda se note uma predominância dos documentários – o que não é nem demérito, nem culpa da comissão de seleção do festival. Parece haver mesmo poucos filmes de ficção finalizados neste momento.
Entre os curtas, a seleção foi variada e contemplou uma gama de bons concorrentes, alguns mesmo ótimos. Em tempo – não comentei antes os curtas porque este ano fiz parte do júri oficial do festival.
