24/09/2026

Documentário registra turnê e fim do casamento de Caetano Veloso

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Coração Vagabundo é um documentário sobre o músico Caetano Veloso, mas, nas palavras do diretor Fernando Grostein Andrade, ‘não é um filme biográfico para o definir, o que seria uma tarefa impossível’. Perguntado por suas intenções, numa coletiva em São Paulo, o documentarista disse que era mais fácil explicar quais não eram as suas intenções, ou seja, definir o que ele diz indefinível.

Usando uma expressão da moda, Grostein Andrade chama o documentário de ‘um recorte que conta muito sobre Caetano’. O rapaz acompanha o músico em sua turnê para divulgar o disco A Foreign Sound no Japão e nos EUA. “Viajando pelo mundo, vejo que as pessoas gostam de música brasileira e respeitam muito os artistas em geral, não apenas a mim”, explicou o músico. A julgar pelas imagens do filme, realmente isso é verdade. Caetano é reverenciado por onde passa, de David Byrne a um monge budista.

Na tela, e fora dela, Caetano não poupa elogios à música norte-americana, que, para ele, “tem força, presença e qualidade, o que significa, superioridade”. “Gershwin, Cole Porter, Billie Holiday, Bob Dylan são excelentes influências em todo o mundo. Não se pode penalizá-los porque os EUA têm poder bélico e econômico”, disse o músico baiano. Comentários como esse, aliás, o colocaram em uma polêmica com o músico Hermeto Paschoal, abordada no documentário.

Bahia, o mundo e a nudez - Para o diretor, o filme não precisou ir à Bahia para o músico falar de sua terra. “Quanto mais longe de Santo Amaro da Purificação Caetano estava, mais ele falava da cidade”, recorda. Grostein Andrade explica que o itinerário do filme não foi planejado. “Fomos acompanhando a turnê e registrando os momentos”.

A ideia do documentário partiu de Paula Lavigne, produtora de cinema e ex-mulher de Caetano, que vira um curta de Grostein Andrade e gostado muito. Ela, aliás, é uma figura central do longa, não apenas por ser produtora, mas porque sempre aparece por perto, dando sugestões ou abrindo a porta de um banheiro para mostrar o músico nu na primeira cena.

Coração Vagabundo flagra muito discretamente o que parece ser o final do casamento entre Paula e Caetano. Uma despedida melancólica e insinuações quando Caetano pergunta à ex-mulher se ela pegou o telefone de Gisele Bündchen (“se é para ser traída, que seja com uma mulher bonita”) parecem mostrar na tela o final da união matrimonial.

É curioso, inclusive, que momentos como esse apareçam nesse filme que parece institucional. O diretor mesmo confirmou na coletiva que tinha medo de que algumas coisas fossem cortadas - como a nudez de Caetano. No fim, tudo foi aprovado pela produtora. Já o músico disse não ter interferido em nada, afinal, o filme era sobre ele, mas não dele.

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