21/07/2026

Isabelle Huppert encena peça e abre exposição de fotos em São Paulo

A francesa Isabelle Huppert está em São Paulo para encenação da peça Quartet, de Heiner Müller, baseado no clássico da literatura francesa As Relações Perigosas, de Choderlos de Laclos, já adaptado para o cinema diversas vezes. Numa coletiva, nessa sexta-feira, a atriz disse que um dos atrativos para trabalhar nesse espetáculo foi a direção do renomado norte-americano Bob Wilson. “Ele se interessa pela musicalidade da frase, a estrutura musical de um diálogo”, explicou.

Além da peça, Isabelle é homenageada no Cinesesc com uma retrospectiva com 19 de seus trabalhos e uma exposição de fotos, que será aberta na segunda-feira, após uma sessão do inédito Vila Amália, apenas para convidados.

“Trabalhar no teatro é como escalar uma montanha, requer esforço físico, mais dedicação. Já o cinema, é um passeio, é mais tranquilo”, disse Isabelle comparando as duas artes. Mas ela vai além e diz que ‘no cinema, como no teatro, também há o roubo do cérebro e do corpo que depois são devolvidos. Mas há um momento em que você perde completamente o domínio da cabeça e do corpo’.

Recentemente, a atriz participou de White Material, que participa na competição do Festival de Veneza. E se prepara para rodar Copacabana, de Marc Fitoussi. “Apesar do título, infelizmente, o filme não se passa no Brasil, mas no norte da França”.

Acostumada a interpretar personagens densas, mulheres fortes, a atriz acredita que ‘elas são agressivas mais por necessidade do que por natureza’. Entre sua galeria de personagens fortes destaca-se a protagonista de A Professora de Piano, que lhe rendeu o prêmio de interpretação feminina no Festival de Cannes, em 2001. Engana-se, no entanto, que os trabalhos em cinema exijam muita preparação. “Não se deve preparar para um papel, mas entrar nele”, define a atriz.

Um detalhe, aliás, que chama a atenção. Isabelle não gosta de se referir aos seus papéis como personagens, mas, sim, como pessoas. “Personagens não existem no mundo real, são invenções da ficção. Pessoas são maiores, mais abertas, mais complexas”.

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