Num universo tão recheado de clichês como o das comédias românticas, Webb consegue inovar ao partir de um roteiro, escrito por Scott Neustadter e Michael R. Weber, que não pressupõe final feliz automático, muito menos protagonista galã. O ator principal é Joseph Gordon-Levitt, mais conhecido por seu trabalho dramático, em filmes como Milagre em St. Anna, de Spike Lee, e Mistérios da Carne, de Scott Heim. E que, por esse currículo, não era uma escolha óbvia.
Em entrevista no Rio de Janeiro, o diretor justificou a escolha de Gordon-Levitt: “Falei com outros atores, mas ele é tão bom! Foi o que melhor sacou o roteiro”. Para Webb, Gordon-Levitt “é sempre leal à realidade de cada situação. Ele nunca força a piada, tenta sempre ser uma pessoa real, com emoções reais. É muito sutil”. Na história, ele interpreta Tom, um arquiteto que sobrevive escrevendo textos de cartões comemorativos e que se apaixona por Summer (Zooey Deschanel, de Sim Senhor) – uma garota independente, que foge de compromissos.
Usando sua experiência anterior, o diretor modificou radicalmente uma sequência de dança. “O roteiro previa que fosse uma espécie de parada. Mas eu preferi que fosse mesmo uma cena de dança, que era o melhor modo de expressar a alegria do personagem naquele momento”. Do jeito que ficou, com o personagem dançando na rua com todos os que passam no seu caminho, ficou com um ar de Todos Dizem Eu Te Amo, de Woody Allen.
Outros requintes visuais que vieram do passado videoclipeiro foram o uso da tela dividida – para mostrar o confronto entre a realidade e a expectativa do protagonista ao reencontrar sua amada – e também o uso de animação, recursos que sofisticaram o visual de (500) Dias com Ela.
A transição do universo dos curtas musicais e videoclipes para o cinema foi natural, segundo o diretor. “Mesmo quando eu fazia um clipe, sempre procurei contar uma história. Muito embora as gravadoras não liguem para isso, elas só querem que seu artista esteja bonito em cena, nada mais”, critica.
Quando este roteiro lhe caiu nas mãos, entre outros trazido por seu produtor, Webb confessa que não se interessou muito, justamente por ser uma comédia romântica. “Deixei na mochila por muito tempo”. Quando finalmente se dispôs a lê-lo, diz que foi atraído pela combinação entre poesia e realismo. “Achei muito comovente”.
Quando lhe dizem que o filme não tem final feliz, como a esmagadora maioria das produções do gênero, Webb apressa-se em observar: “Acho essencial que a platéia encontre sua emoção aqui justamente porque a história tem base na realidade. Não há final feliz mas é muito esperançoso”.
Uma das melhores sequências, que mostra Tom deprimido assistindo a supostos filmes europeus em preto e branco – calcados em obras como Persona e O Sétimo Selo, de Ingmar Bergman, entre outros – foi criada em cima da hora. Webb comenta que, no roteiro, o protagonista procurava apoio em livros de auto-ajuda. Mas a cena não estava funcionando. Um brainstorming no set, que contou com a colaboração do ator, ajudou os roteiristas a escrever a sequência com o falso filme, faltando apenas uma semana para as filmagens.
(500) DIAS COM ELA - (500) Days of Summer. De Marc Webb. EUA, 2009. 95 min.
Terça (29/9), 19;15, Odeon Petrobras
Quinta (1/10), 14:00, Cinemark Downtown
Quinta (1/10), 19:00, Cinemark Downtown
Domingo (4/10), 18:30, Leblon 1
Domingo (4/10), 21:30, Leblon 1
Segunda (5/10), 16:30, Roxy 3
Segunda (5/10), 21:30, Roxy 3
