Um dos destaques da Seleção Brasileira é o documentário dirigido por Dácio Pinheiro, Meu Amigo Cláudia. Considerado uma das grandes surpresas do 33º Festival de Filmes LGBT de São Francisco, conta a trajetória de Cláudia Wonder, travesti que conseguiu sair das páginas policiais para ser destaque nos cadernos de cultura. No programa também serão exibidos Elvis e Madona, de Marcelo Laffitte, com Simone Spoladore e Maitê Proença e o documentário Dzi Croquettes, de Tatiana Issa e Raphael Alvarez, com depoimentos de Marília Pêra, Betty Faria, Jorge Fernando, Miguel Falabella e Gilberto Gil, entre outros.
O Mix Brasil acontece em São Paulo, de 12 a 22 de novembro, no Cinesesc, Cine Olido e Espaço Unibanco de Cinema, além do tradicional Show do Gongo no Memorial da América Latina. Brasília recebe o Festival de 25 a 29 de novembro, no auditório grande do Museu da República.
Outras atrações
O projeto internacional Fucking Different, que já foi realizado por cineastas de Berlim, Nova York e Tel-Aviv, chega ao Brasil em sua quarta edição: Fucking Different São Paulo, produzido pelo idealizador Kristian Petersen, com a colaboração de Rodrigo Diaz e da Associação Cultural Mix Brasil, apresenta um longa-metragem constituído pelo trabalho de vários cineastas, entre eles Luiz René Guerra, conhecido pelo premiado curta Os Sapatos De Aristeu, apontado pelo Brasil para concorrer a uma indicação ao Oscar. O projeto, realizado a partir de roteiros criados durante oficina oferecida no Festival de 2008, tem o apoio do Goethe Institut São Paulo e da FAAP.
Já a Mostra Competitiva Brasil traz esse ano 11 curtas-metragens concorrentes ao Coelho de Ouro para melhor filme e ao Coelho de Prata em várias categorias técnicas. O prêmio é concedido por um júri internacional, formado por programadores de festivais de todo o mundo. Os curtas também disputam o Prêmio Aquisição Canal Brasil, onde a emissora paga R$ 10 mil para os direitos de exibição do vencedor.
Essa edição do Festival faz parte do calendário oficial do ano da França no Brasil. Para isso, foi criada uma programação especial em homenagem ao diretor, ator e roteirista Jacques Nolot, batizada de Mundo Mix França. Será exibida a trilogia dirigida por Nolot: L’Arrière-pays (1997), La Chatte aux Deux Têtes (2002) e Avant que j’oublie (2007), além de longas em que atuou como roteirista, feitos por realizadores consagrados como J'embrasse pás (1991), de André Téchiné, e La Robe à Cerceaux, de Claire Denis. Jacques Nolot estará no Brasil durante o Festival para apresentar seu trabalho e participar de debates. Outro convidado que integra o time francês é o diretor Pascal-Alex Vincent, para apresentar o longa Donne-moi la main. Fechando em grande estilo, o documentário de Louis Dupont, Les Garçons de la Piscine, que segue três atletas do Clube Aquático de Paris.
O Panorama Internacional, seção do evento dedicada à exibição de novos longas-metragens que estão circulando em festivais internacionais de cinema e no circuito GLBT, traz o polêmico Eyes Wide Open, de Haim Tabakman, que mostra a relação entre um judeu ortodoxo pai de família e um jovem estudante. Três filmes abordam o universo transexual: o grego Strella, de Panos H. Koutras, expõe a relação entre um ex-presidiário e uma prostituta trans. Morrer Como Um Homem, do português João Pedro Rodrigues, conta a história de uma travesti que quer apagar os vestígios de seu passado masculino. Já Prodigal Sons, de Kimberly Reed, é um documentário autobiográfico onde a diretora transexual retorna a sua cidade natal. Entre os destaques internacionais também está o vencedor do último Slamdance Film Festival Drool, de Nancy Kissam. A argentina Julia Solomonoff, que foi assistente de direção de Walter Salles em Diários de Motocicleta (2004) apresenta o seu El último verano de la Boyita. Já Campillo sí, quiero, de Andres Rubio, foca o vilarejo espanhol cujo prefeito pretende torná-lo na capital européia do matrimônio entre pessoas do mesmo sexo.
O tradicional Show do Gongo, onde qualquer pessoa pode submeter seu vídeo para julgamento do publico, chega a sua 10ª edição. Mais uma vez, será apresentado por Marisa Orth no Memorial da America Latina, dia 16/11.
O Cine Olido abrigará uma sessão popular gratuita durante os dias do Festival. Nela serão exibidos alguns dos destaques da programação nacional e internacional, além da Mostra Competitiva Brasil.
Entre as atividades especiais dessa edição do Festival, está a Oficina de Live Cinema ministrada na Oficina Cultural Oswald de Andrade pela artista e cineasta americana Susan Simpson, que ensinará como montar um espetáculo cinematográfico artesanal. O braço musical do Festival, Mix Music, contará com programação no Centro Cultural da Juventude, Galeria Olido e Sesc Pompéia, com apresentação de drag queens e bandas alternativas, entre outras surpresas.
