22/07/2026

Festival de Brasília começa com "Lula, o Filho do Brasil"

post-img
Começa nesta terça (17) a 42ª edição do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro. A sessão de abertura, com o filme Lula, o Filho do Brasil, de Fábio Barreto (RJ), fora de competição, promete ser concorrida como nunca. Não só pelo tema e ineditismo do filme, como pela expectativa de que o próprio presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, e vários ministros, como Dilma Roussef, compareçam – o que multiplicará de forma inédita o aparato de segurança no Cine Brasília.

O filme sobre Lula, que tem estreia prevista para janeiro 2010 nos cinemas, visita a biografia do presidente em sua infância e juventude, antes de chegar ao Planalto. Finca, assim, seu foco no lado humano, tendo como figura central sua mãe, dona Lidu (Glória Pires). Na fase adulta e sindicalista, Lula é interpretado por Rui Ricardo Diaz, que tem uma semelhança física notável com o presidente.

Além do seu inegável contexto político, o filme é também um teste para checar se a maturidade finalmente teria chegado ao trabalho do diretor Fábio Barreto – que tem no currículo os precários Bela Dona (98), A Paixão de Jacobina (2002), Nossa Senhora do Caravaggio (2007) e o regular O Quatrilho (95) – que a imprevisibilidade dos votantes da Academia de Ciências e Artes Cinematográficas de Hollywood indicou entre os cinco concorrentes daquele ano ao Oscar de filme estrangeiro.

Domínio dos documentários
Pelo segundo ano consecutivo, o festival mais antigo do Brasil tem maioria de documentários entre os longas 35 mm concorrentes – um dado que ao mesmo tempo sinaliza o vigor do gênero e cria problemas para algumas modalidades da premiação, caso dos elencos.

A diversidade regional, em todo caso, é contemplada. Há documentários de Minas Gerais, Bahia, Brasília e São Paulo. São eles: Filhos de João, Admirável Mundo Novo Baiano, de Henrique Dantas (BA), que investe na produtiva trilha da musical para recontar a história do grupo Novos Baianos e sua época; A Falta que me Faz, de Marília Rocha (MG), a premiada diretora de Aboio(2005), retrata o ritual da passagem à vida adulta de quatro adolescentes de Curralinho, distrito de Diamantina, entre o romantismo e a realidade; Perdão, Mr. Fiel, de Jorge Oliveira, recupera a memória da morte sob tortura, em 1976, do operário Manoel Fiel Filho, em São Paulo, contando com entrevistas dos presidentes Lula e Fernando Henrique Cardoso e de um ex-agente do DOI-CODI, entre outros; e Quebradeiras, de Evaldo Mocarzel (SP), aborda o cotidiano áspero das quebradeiras de coco de babaçu entre os estados do Pará, Tocantins e Maranhão.

Um dos representantes ficcionais é O Homem Mau Dorme Bem, do veterano Geraldo Moraes (DF, de No Coração dos Deuses), que desenvolve a história de três pessoas, que se encontram num posto de gasolina na beira de uma estrada. No elenco, Luiz Carlos Vasconcelos, Simone Iliescu, Bruno Torres e Mariana Nunes.

O sexto e último concorrente entre os longas é o aguardado É Proibido Fumar, de Anna Muylaert (Durval Discos), que acompanha os dilemas de Baby (Glória Pires) professora de violão que se anima com a mudança para o apartamento ao lado do músico Max (Paulo Miklos). No elenco, Marisa Orth e Paulo César Pereio.

12 curtas 35 mm completam a seleção competitiva deste ano. Em todas as mostras, são 46 curtas digitais, consolidando a entrada do formato no festival.

Notícias relacionadas