Caçula de um clã envolvido com o cinema brasileiro há quase cinco décadas, liderado pelos produtores Luiz Carlos e Lucy Barreto, Fabio sabia que estava mexendo num vespeiro quando topou fazer o filme. Quando perguntado se o longa ajudará o presidente ou o PT na campanha eleitoral do próximo ano, o diretor dispara: “O Lula não precisa de filme. Nós é que pegamos carona na popularidade dele”.
O diretor, aliás, admite outras ambições. Acredita que um filme como o seu poderá revitalizar o cinema brasileiro atraindo mais público para as salas. “Cinema é uma vocação que existe neste país. O povo brasileiro quer se ver no cinema”. Ainda assim, pondera: “Para mim, se o filme chegar a 1 milhão de ingressos estarei soltando foguetes”.
Outro sonho é projetado para fora do País: “Vamos inscrever o filme para o Oscar na categoria produção estrangeira. Por causa da visibilidade de Lula no exterior, creio que temos muita chance de finalmente conseguirmos esse troféu em 2011”, afirma, com a experiência de quem conseguiu uma indicação para “O Quatrilho”, em 1996.
O diretor faz outra confissão: “No cinema, o personagem só cresce durante uma crise. Na vida também. ‘Lula’ foi um filme que me salvou. Eu estava numa crise há muito tempo, com filmes que não davam certo, que não me agradavam, me sentia perdido”. Nos últimos anos, Fábio fez “Nossa Senhora do Caravaggio” (2007) – filme de encomenda que só foi exibido no sul do Brasil – “A Paixão de Jacobina” (2002) – “cheio de problemas” – “Bela Donna” (1998) – “me deslumbrei, achando que fosse fazer meu passaporte para Hollywood, mas deu tudo errado”. Depois desse mea culpa, o diretor analisa que ‘Lula’ é um filme diferente em sua filmografia: “Foi feito com extremo prazer, o resultado comprova isso”.
Uma vida em duas horas
Durante a pré-produção e a filmagem de “Lula – O Filho do Brasil”, Fabio e sua equipe não tiveram muito contato com o presidente. Lula foi ver o filme apenas no final de novembro – uma semana depois da première no Festival de Brasília, no qual foi o longa de abertura –, numa sessão nos estúdios Vera Cruz, em São Bernardo do Campo (SP). “Ele ficou muito impactado. Deveria participar de uma coletiva depois da exibição, mas não tinha condições emocionais para isso. Não sei o que passou na cabeça dele, mas estava numa espécie de transe. Afinal, tinha visto mais da metade de sua vida em duas horas na tela”, especula o diretor.
O enredo aborda os primeiros 35 anos na vida de Lula, desde seu nascimento até sua ascensão como líder sindical no ABC paulista, no início dos anos de 1980. “É esse o Lula que me interessa, aquele que é pouco conhecido. O filme acaba quando a mãe dele morre. Não quero retratar o político que todo mundo já conhece. Nem me interessa fazer uma continuação”, promete.
A mãe de Lula, Dona Lindu, é interpretada por Gloria Pires, veterana dos filmes de Fabio, que participou da estreia do diretor em “Índia, A filha do Sol” (1982) e também “O Quatrilho” (1995). “Eu não faria o filme com outra atriz. Tinha que ser ela”. Já para viver o protagonista, Fabio selecionou o estreante em cinema Rui Ricardo Diaz, depois que outros dois atores desistiram do papel. “Ele tinha feito o teste para um personagem pequeno. Mas quando me vi sem ator, eu o chamei para um novo teste. Logo de cara, eu disse não queria uma caricatura, nem uma imitação. Ele se saiu muito bem”.
