
Depois do sucesso da primeira edição, no ano passado, começa em São Paulo, na próxima quinta (18), o In-Edit Brasil 2010 – 2º Festival Internacional do Documentário Musical que contará com uma programação de mais de 70 filmes nacionais e estrangeiros, a maioria deles inéditos no país, tendo em comum a temática musical.
Algumas das sessões são gratuitas. Em outras, o preço do ingresso varia entre R$ 0,50 e R$ 12. O In-Edit em São Paulo vai até 28 de março e terá programação nas salas do MIS, Cine Olido, CineSesc, Belas Artes, Matilha Cultural, Auditório Ibirapuera e Instituto Cervantes. O evento apresentará 40 títulos nacionais, entre longas, médias e curtas. Entre 2 e 8 de abril, parte da seleção do festival será exibida no Rio de Janeiro.
Marcelo Aliche, diretor e curador do festival, acredita que o documentário sobre música e músicos é um gênero em ascensão, especialmente no Brasil. Como prova disso, ele destaca a boa safra produzida em 2009, que inclui filmes como Lóki – Arnaldo Baptista, Simonal – Ninguém sabe o duro que dei, Herbert de Perto e Jards Macalé – Um morcego na porta principal. “Acredito que a indústria fonográfica irá, aos poucos, entender como esse gênero de documentário pode alavancar a vendagem de discos, ainda mais numa época em que se discute tanto os direitos autorais das músicas”, disse Aliche ao Cineweb.
Aliche explica que a música brasileira é conhecida e apreciada no mundo todo, por isso, esses documentários também podem encontrar espaço para exibição fora do país. “Moro em Barcelona, e Maria Bethania – Música é perfume ficou bastante tempo em cartaz numa sala da cidade. Sempre tinha público, não apenas de brasileiros”.
A seleção do In-Edit de 2010 tem tudo para repetir o feito do primeiro festival e impulsionar o lançamento de vários documentário. Entre os brasileiros selecionados em 2010 estão Madonas para sempre – O Doc (foto), de Claudio Kahns, que será exibido na abertura, além de filmes como Fita Mixada Rotação 33: DJ KL Jay, sobre rap, L.A.P.A., que aborda o hip hop no Rio de Janeiro, e Tom Zé – Astronauta Libertado, que acompanha o músico brasileiro em oficinas que ele ministrou na Espanha, além de destacar o processo criativo ao longo da carreira do músico.
Além de Mamonas para sempre – O Doc, a competição nacional traz outros cinco longas: Beyond Ipanema, de Guto Barra, sobre como a música brasileira é vista no exterior; o grupo carioca de dança de vanguarda Dzi Croquetes é tema de um documentário homônimo, dirigido por Tatiana Issa e Raphael Alvarez; Meu amigo Claudia, de Dácio Pinheiro, aborda a trajetória do travesti Claudia Wonder, que se tornou um ícone cultural e político; Bezerra da Silva – Onde a coruja dorme, de Márcia Derraik e Simplício Neto, investiga a vida e obra do músico que foi um dos responsáveis pela chamada “explosão do pagode”, na década de 1980; e Seu Jorge – América Brasil, o documentário, de Pedro Jorge e Mariana Jorge, acompanha a turnê do músico brasileiro cruzando o Brasil.
Outras seções do In-Edit trazem longas e curtas brasileiros – muitos deles inéditos – que abordam a produção musical do país. Um dos destaques do festival é o Brasil.doc, que além de exibir sete filmes será complementado por shows ou debates com diretores e músicos. Essas sessões serão gratuitas e acontecerão no Matilha Cultural (Rua Rego Freitas, 542 - Telefone: 11-3256-2636).
O Panorama Mundial apresentará 18 filmes de 7 países, que oferecem um painel da música contemporânea ao redor do mundo. Um dos destaques é Heavy Metal in Baghdad, sobre a única banda de rock pesado do Iraque, chamada Acrassicauda. O americano Woodstock – Now and then, de Barbara Kopple, retrata o famoso festival – que completou 40 anos em 2009 – por um outro prisma, os acidentes e imprevistos dos bastidores. Já Shadowplay: The making of Anton Corbijn”investiga a vida e obra do fotógrafo e cineasta – que assinou em 2007 o longa Control, sobre o músico Ian Curtis, do Joy Division – e que já trabalhou com artistas como U2, Miles Davis e REM.
O diretor espanhol José Sánchez-Montes é o homenageado do 2º In-Edit Brasil, que apresentará três longas de sua filmografia. Um dos destaques do festival é Tiempo de Leyenda, que o cineasta fez no ano passado sobre Camarón de la Isla, uma das vozes mais importantes do flamenco. “Camarón representa para o ritmo o que os Beatles são para o rock”, compara Aliche para explicar a importância do músico.
De Sánchez-Montes o festival também apresenta Bola de Nieve, sobre o pianista e canto afrocubano que se tornou um dos mitos da música do século XX; e Enrique Morente Sueña la Alhambra, que apresenta uma viagem guiada pela música flamenca de Sueña.
Para mais informações sobre os filmes, eventos e a programação completa, acesse o site do festival.
