20/06/2026

Filme de Laís Bodanzky concorre no Festival de Roma

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Nem Berlim, Cannes ou Veneza: o cinema brasileiro vai competir no Festival de Roma, no fim deste mês. Esnobado ao longo do ano pelas curadorias dos três principais festivais do mundo – só Bróder,de Jefferson De,esteve em Berlim, mas na paralela Panorama –, o Brasil ganha agora merecida vaga no 5º Festival Internacional de Roma.
 As Melhores Coisas do Mundo, de Laís Bodanzky, bem modulado retrato do universo adolescente, vai representar o país naquela mostra competitiva, concorrendo com títulos de várias partes do mundo. Já lançado aqui comercialmente, o filme levou oito dos principais prêmios do Festival do Recife, o Cine PE, em abril passado.                                                                                                                        
O certame romano, que acontece de 28 de outubro a 5 de novembro, chega à sua quinta edição com uma programação que pretende, se não igualar em prestígio, pelo menos consolidar o caminho para obter identidade própria e sair da sombra de seu famoso modelo conterrâneo, a veneranda mostra de Veneza. A pretensão dos organizadores é legitimar uma proposta que surgiu para transformar a capital italiana em mais uma importante vitrine européia do cinema mundial.                                                            
Para abrir o evento foi estrategicamente escolhida a produção Last Night,dos EUA, com as atrizes Keira Knightleye Eva Mendes atraindo o foco dos paparazzi para o tapete vermelho inaugural. Ao todo, a organização do Festival de Roma programou 146 filmes, distribuídos entre as várias seções e que serão exibidos em sete salas.                  
A competitiva oficial traz 17 filmes, entre eles o representante do Brasil. Quatro italianos também disputam os prêmios oficiais Marc’Aurelio. Entre os demais concorrentes, destaque para a diretora dinamarquesa Susanne Bier (o filme dela, Em um Mundo Melhor, representa a Dinamarca na luta por uma vaga no Oscar de filme estrangeiro), para a estreia de Nicole Kidman como dublê de intérprete e produtora em Rabbit Hole e para a presença de Jim Loach, filho de Ken Loach, estreando como diretor de cinema depois de longa carreira na televisão inglesa.                                                                                                 
Entre as homenagens especiais, destaque para celebração da carreira de Ugo Tognazzi, um dos mais importantes atores italianos da segunda metade do século passado, morto há 20 anos. O documentário Ritratto di mio Padre, dirigido por Maria Sole, filha de Tognazzi, terá sua première no festival.Por outro lado, a atriz Julianne Moore receberá um troféu Marc’Aurelio especial.                                                                                        
Também vitrines significativas no âmbito do Festival de Roma são duas mostras paralelas, a competitiva Extra Section, composta por 12 documentários, e Alice Nella Città, este ano com 14 títulos dedicados ao publico mais jovem. Também o cinema japonês terá focos específicos, destacando o centenário do nascimento de Akira Kurosawa e uma retrospectiva com 11 produções dedicadas ao Studio Ghibli, templo de animação comandado por Hayao Miyazaki (diretor de A Viagem de Chihiro).                                                                                                                                      
O júri principal será presidido pelo ator Sergio Castellito e terá nomes de prestígio, como os cineastas Ulu Grosbard e Edgar Reitz. O Festival Internacional de Roma é presidido pelo veterano crítico Gian Luigi Rondi A diretora artística da mostra é Piera Detassis, crítica que durante muitos anos foi editora da revista Ciak.
 “La Dolce Vita”, restauro aos 50 anos
O Festival Internacional de Roma não ia, claro, se esquecer do cinquentenário de La Dolce Vita.. Com naturais pompas nas circunstâncias e tendo como cenário o Auditorium Parco della Musica, será exibida no dia 30 próximo, em anteprima mondiale, como dizem os italianos, a cópia restaurada do clássico de Federico Fellini, com os 178 minutos originais das cópias originalmente lançadas em 1960.
 Com o tempo, o filme se transformou em ícone de cinéfilos de todo o mundo, garantindo a Fellini – que morreu em 1993 – status de divindade pagã no Olimpo do cinema. Interpretado por Marcello Mastroianni, Anita Ekberg e Anouk Aimeé, La Dolce Vita foi considerado um escândalo na época de sua estreia. Mas diante dos padrões contemporâneos, pode ser visto hoje em dia como obra discreta – qualquer anúncio de desodorante na tevê tem mais nudez que La Dolce Vita...
Em sete episódios vagamente relacionados, o jornalista Marcello (Mastroianni) cobre as aventuras dos remanescentes da aristocracia, os novos ricos, as jovens estrelas e os parasitas de personagens famosos. Enquanto isso, ele tenta encontrar um sentido para sua própria vida. O cenário principal é um café localizado na Via Veneto, em Roma.
 Marcello redige as crônicas dos eventos junto a seu inseparável companheiro, um fotógrafo apelidade de Paparazzo. A palavra, como se sabe, passou a frequentar os dicionários de quase todas as línguas como referência aos agressivos fotógrafos que não dão trégua aos famosos, e com certeza foi uma das primeiras formas contemporâneas de invasão de privacidade.
 A restauração da cópia foi feita pela Cineteca di Bologna, com o apoio técnico e financeiro de diversos organismos. A homenagem a Fellini no fim deste mês se compõe de três mostras. A primeira é Labirinto Fellini, dividida em duas seções: A Grande Parada, com uma seleção de materiais raros como fotografias e desenhos, vai restituir a riqueza e a modernidade da obra felliniana. A outra, com curadoria de Dante Ferretti e Francesca Loschiavo, será uma espécie de instalação mágica que levará o espectador ao set do cineasta. A segunda mostra, 1960: o mundo ao tempo de La Dolce Vita, revelará imagens e artigos de jornais relativos ao ano de estréia do filme. Finalmente, La Dolce Vita 1950-1960: Estrelas e Celebridades, terá mais de uma centena de imagens inéditas saídas do Archivo Storico Luce e de revistas.

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