04/06/2026

Documentários sobre artistas de vanguarda marcam segunda noite de competição

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Foto: Alysson Prodlik/Divulgação
Por conta da chuva torrencial que caiu no começo da noite de segunda na região de Recife-Olinda, a sessão de ontem do CinePE começou com atraso e as várias homenagens fizeram com que a maratona se prolongasse até meia-noite. Muita gente perdeu o melhor da noite saindo antes e durante o último filme, Augusto Boal e o Teatro do Oprimido, do homenageado Zelito Viana – que foi exibido fora de competição.
O documentário combina uma longa entrevista com Boal, morto em 2009, com imagens de arquivo e a experiência do Teatro do Oprimido pelo mundo até hoje – em países como EUA, Índia e Moçambique. Criado na década de 1970, a manifestação combina encenação com diálogos com o público, que dando sugestões, propondo discussões se torna um pouco autores e, às vezes, atores das peças. É uma experiência quase catártica.
 Já o documentário Casa 9 (foto), exibido em competição, é assinado por Luiz Carlos Lacerda, mais conhecido como Bigode, e mostra uma casa inusitada numa vila no Botafogo, onde morava o compositor e cantos Jards Macalé, e abrigou artistas como o próprio Bigode, Sonia Braga, Lenine – e recebeu visitantes ilustres, como Clarice Lispector, Gal Costa, Wally Salomão e Naná Vasconcelos.
 Fazendo esse filme, Bigode acredita que sua geração está começando a contar a sua história. “Filmes como esse e Dzi Croquettes recuperam episódios que se não forem contados por nós não poderão ser contados. A esquerda que está no poder é diferente da nossa esquerda. Eles nos viam como alienados, hippies e drogados – e até éramos mesmo”, disse o diretor na manhã de terça na entrevista coletiva.
 Macalé confessou que algumas das imagens de arquivo presentes no filme são de sua autoria, mas seu acervo é bastante limitado. “Ele começava a filmar sem qualquer motivo, e então colocávamos umas fantasias, e virava um happening”, brinca Bigode. O próprio Macalé disse estar surpreso ao ver o longa do amigo pela primeira vez. “Muitas histórias se passaram pela minha cabeça. Comecei a me lembrar de que vivíamos uma época de ditadura brava, e ficávamos naquela casa fazendo uma verdadeira diversão. Era praticamente um Exército de Brancaleone”.
 O curta documental a A Casa da Vó Neyde (SP), de Caio Cavechini, que faz sua estreia nesse festival, se destacou ao mostrar de forma delicada, mas contundente, um problema familiar do diretor – o envolvimento do seu tio com o crack. Como ele explicou antes da sessão, o filme foi feito para tentar compreender o que se passou com sua família. A sessão contou também com As Aventuras de Paulo Bruscky (PE), de Gabriel Mascaro, um documentário que se passa inteiramente na rede social Second Life; e A fábula das três avós, de Daniel Turini, uma fantasia em que uma garota tem que escolher entre suas três avós após a morte do pai.

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