Estreando nesta quarta (25-7), na França, 360, o novo filme do diretor brasileiro Fernando Meirelles, colheu elogios e reparos da crítica francesa. Produção internacional, com elenco idem, liderado por Anthony Hopkins, Jude Law e Rachel Weisz, tem sua estreia brasileira prevista para 17 de agosto.
No jornal Libération, o crítico Guillaume Tion elogia a qualidade técnica: “É fato: em 360, Fernando Meirelles fez tudo muito bem... Tudo é muito limpo e bem-arrumado, para que o espectador não se perca neste tour do mundo por solitários”. Descreve o filme como “uma procura impossível do amor, aplicada e vã, aprisionada nos padrões da série A”, mas reconhece que “a soma do trabalho tem bons momentos a apontar”.
Em outro jornal, Le Monde, o crítico Aureliano Tonet foi mais cáustico: “Sessenta anos depois de Max Ophuls, Fernando Meirelles não consegue extrair da peça de Schnitzler mais do que uma série de platitudes sobre a solidão na era globalizada”. O crítico se refere ao filme La Ronde (1950), de Max Ophuls, realizado a partir da peça homônima do autor vienense Arthur Schnitzler que também foi o ponto de partida de 360.
Na revista Première, Isabelle Danel considera que “este filme coral, de personagens pletóricos, ligados pelo sexo, o acaso e a vontade do roteirista, é um belo envelope que soa, às vezes, oco. Artifícios demais e clichês prejudicam o interesse. Resta a grandeza dos atores, que às vezes faz a diferença”.
Mais positivas foram as críticas da revista Télérama e do jornal Le Parisien. Em Télérama, o experiente crítico Frédéric Strauss elogiou o cineasta brasileiro por ser “capaz de conferir ao menor plano uma grande força visual” e “amar estar próximo de seus atores; aqui ele dirige alguns excelentes”. Para o crítico, “estes talentos afinados terminam por fazer existir os personagens, reunidos por uma fragilidade universal. Olhando-os com generosidade, Meirelles torna-os verdadeiros e tocantes”.
No Le Parisien, Hubert Lizé destaca: “Seu elenco excepcional e a justeza de sentimentos explorados conferem um charme verdadeiro a a este périplo desencantado – que lembra, em alguns aspectos, Uma Noite sobre a Terra, de Jim Jarmusch”.
Novamente lembrando de Max Ophuls, a crítica mais feroz veio da normalmente exigente revista Cahiers du Cinéma, assinada por Nicolas Azalbert: “Meirelles empresta à história um olhar moralizador e reacionário, que é como encara o casal, o adultério e a prostituição. Está-se aqui mais para Desperate Housewives do que para Max Ophuls”.
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