Marina Brennand Fortes é sobrinha-neta do grande artista plástico pernambucano Francisco Brennand. Mas ela conta que isso abriu apenas uma “frestinha” para que conseguisse fazer o documentário “Francisco Brennand”, que conquistou dois prêmios na Mostra Internacional de Cinema em São Paulo em 2012 – o da Abraccine (Associação Brasileira de Críticos de Cinema) e o do Itamaraty. Agora, ela planeja levar o longa para outros países, em festivais. Nesta entrevista, ela conta sobre o processo de filmagem.
Como foi sua convivência ao longo de sua vida com o Francisco Brennand?
Cresci em contato com a obra dele. O ateliê era perto da casa do meu avô, e eu sempre visitava o local nas minhas férias. Eu tive contatos rápidos. Ele sempre foi um artista muito dedicado ao seu trabalho, como mostra o filme.
Como ele reagiu à ideia do documentário?
Por ser neta do irmão dele, isso me abriu uma frestinha. Mas foi um trabalho de conquistar a confiança dele ao longo do tempo de preparação, a ponto de ele me confiar o diário de mais de 2000 páginas. Começamos a conversar sobre o documentário em 2002, fomos filmar só em 2006. Ou seja, todo esse tempo foi de conversa, preparação. Ele pode ver minhas intenções com o filme.
Como foram as filmagens? Quanto tempo duraram?
Quando começamos a filmar, ele já estava acostumado com a câmera, já tinha confiança para mostrar seu trabalho, sua oficina. Trabalhamos com uma equipe pequena para manter o clima intimista. O Walter Carvalho [diretor de fotografia do longa] foi muito parceiro e como ele gosta muito de pintura, também teve muito assunto com o Brennand. Tentamos interagir da maneira menos intrusiva possível. As entrevistas foram filmadas em digital, já as obras em película.
Como foi a montagem? O que guiou você e Livia Arbex na hora de selecionar o que deixar no filme e o que eliminar?
Contando entrevista, em digital, película e imagens antigas em Super 8, tínhamos mais de 40 horas. Livia (montadora do filme) e eu queríamos, de certa forma, entrar na intimidade de Brennand, contar a história do homem, entrar em suas obsessões, seus medos. A obra dele já foi bastante documentada em ensaios belíssimos, por isso eu queria “o homem”, e não “o artista”. Começamos eliminando tudo o que houvesse de olhar critico e deixamos os momentos vivos. As interações dele com a obra, uma escultura saindo do forno, o reencontro com as pinturas.
