16/06/2026

Oito anos depois de Cidade Baixa, Alice Braga e Wagner Moura reencontram-se em Hollywood

“Fazer cinema é um só no mundo inteiro”, afirma a atriz Alice Braga, que mais uma vez estrela um filme em Hollywood. Só que agora, em Elysium (2013), ela tem como companhia Wagner Moura, na sua estreia na indústria cinematográfica norte-americana. Para o ator, apesar da grande quantidade de dinheiro envolvida e da abundância de comida nos sets de filmagem das produções dos Estados Unidos, a equipe e o jeito de fazer cinema são iguais em qualquer lugar.
 
O longa, com orçamento estimado em US$ 115 milhões, traz a história futurista de Max (Matt Damon), um operário que, após um acidente de trabalho, coloca-se em uma missão arriscada para buscar sua cura. Nessa trajetória, ele encontra a oportunidade de mudar o destino da humanidade, que, em 2154, continua dividida entre pobres e ricos: os primeiros ficaram na Terra, que se tornou um planeta totalmente devastado, enquanto os outros moram em Elysium, uma nave construída para simular o modo de vida de seu antigo habitat.
 
Segundo Alice, que vive Frey, amiga e amor de infância do protagonista, a produção não é uma previsão, mas um panorama sobre questões atuais. Wagner, que interpreta o revolucionário/coiote Spider, acredita que a obra de Neill Blomkamp é uma metáfora social e também uma discussão sobre as demandas ambientais, observadas pelo esgotamento dos recursos naturais nas últimas décadas. O fato de ter gostado tanto do trabalho do diretor sul-africano em Distrito 9 (2009) e o convite para fazer um personagem diferenciado foram os fatores que o motivaram a participar do projeto. De acordo com o astro brasileiro, é difícil fazer “entretenimento, filmes de alcance que sejam bons de público e que tenham alguma coisa para dizer” e Elysium seria um destes casos raros.
 
Pelos temas abordados se encaixarem na realidade de vários locais, Moura crê que o filme é multinacional não só na escolha dos atores de vários países, mas também na construção dos personagens que não tem uma nacionalidade definida. No entanto, Braga pensa que Frey é uma mexicana da fronteira com os Estados Unidos, enquanto seu colega diz que fez Spider como um líder brasileiro naquela Los Angeles futurista. Não é a toa que, entre as tatuagens da sua caracterização do personagem, havia uma da bandeira do Brasil em seu braço. Wagner relembra, porém, um curioso caso sobre isso, de quando o ator Matt Damon viu a flâmula nacional e confundiu completamente o desenho, perguntando ao companheiro de cena: “Por que você tem um hambúrguer tatuado no seu braço?”.
 
Mesmo com o desconhecimento de alguns símbolos nacionais e culturais brasileiros, o astro brasileiro não está passando despercebido em Hollywood. O ator, que já tem agente internacional desde 2010, arrancou elogios da crítica estrangeira e está envolvido em um projeto de longa em que interpretaria o cineasta italiano Federico Fellini. Além disso, Moura estreará na direção em uma cinebiografia do revolucionário guerrilheiro Marighella, ainda em fase de pré-produção.
 
Enquanto isso, na sua primeira incursão na “terra do cinema”, o intérprete aponta como principal dificuldade ter de atuar em inglês, especialmente por causa da pronúncia. “Eu ouvi o Javier Bardem dizer isso e eu gosto muito. Ele dizia que quando atua em inglês, parece que tem um escritório na cabeça dele, com todos telefonando e mandando mensagens para tudo dar certo. E, quando ele está trabalhando em espanhol, o escritório está vazio”, diz o ator, que também contou com a ajuda de Alice, que já tem mais experiência nesse quesito, apesar de também preferir trabalhar em português.
 
Aliás, as dicas com a língua inglesa não foram o único apoio dado por ela ao compatriota. Ambos se conheceram durante as filmagens de Cidade Baixa (2005), filme dirigido por Sérgio Machado, quando ficaram muito amigos. “Foi ali [no Cidade Baixa], a primeira vez que eu saquei com ele [Wagner Moura] o que eu acredito de atuação. (...) E ali ele virou um ídolo. E dali, os últimos anos que eu vivi, sempre foi acompanhando-o de longe ou de perto, sempre como alguém que eu amo e que é um grande amigo”, disse Alice Braga, rasgando elogios a Wagner Moura. E a amizade foi importante no momento em que ele teve uma forte pneumonia nas filmagens do Elysium em Vancouver, Canadá, e ela prestou auxílio, comprando remédios e cuidando do colega. Tamanha dedicação entre os amigos também fica evidente no trabalho desses brasileiros, que se destacam nessa superprodução.

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