A cantora Sandy, assinando como Sandy Leah, foi categórica ao dizer que sua personagem no filme Quando eu era vivo, Bruna, não é uma versão dela. “Apesar de as duas lidarem com a música, somos diferentes. Ela é mais solitária, está longe da família, só quer saber de estudar”, comentou a cantora-atriz na coletiva do filme, na segunda (27). No longa, ela interpreta uma jovem que aluga um quarto no apartamento do personagem de Antonio Fagundes e se vê no meio de uma briga entre pai e filho (Marat Descartes), quando este volta para casa depois do divórcio.
Dirigido por Marco Dutra (Trabalhar Cansa) e baseado em romance de Lourenço Mutarelli, Quando eu era vivo toma o caminho do terror, colocando forças do ocultismo em primeiro plano. Nessa questão, porém, Sandy disse estar no mesmo patamar que sua personagem: “Como a Bruna não conhece nada sobre isso, eu preferi não pesquisar, não estudar o assunto”.
Dutra conta que Sandy se mostrou empolgada com a personagem, logo depois de ler o roteiro pela primeira vez. A cantora completa: “Naquele momento, pensei mais no lado psicológico da trama. Mas vendo o filme pronto, acredito que seja mais sobrenatural”. O diretor explica que uma das funções do cinema de terror é “revelar sobre o mundo onde a gente vive”. Neste longa, isto significa falar sobre a classe média, na qual ele nasceu e cresceu.
Fagundes, longe do cinema desde A Mulher do Meu Amigo (2008), conhecia o livro e estava curioso para saber como seria adaptado. Afinal, segundo ele, as coisas se passam na cabeça do personagem. E, apesar de ser uma presença constante na televisão (de 2010 a 2013 fez uma novela por ano), arrumou tempo na agenda porque queria participar deste longa. O diretor ainda sublinha a coragem do ator, que aceitava qualquer desafio. “Menos ficar com a cabeça completamente coberta de gesso, conforme pedia uma cena”, explica o intérprete. “Aí eles tiveram que dar um jeito. Eu já tinha passado por algo parecido e foi traumatizante”.
A atriz Tuna Dwek, que interpreta a namorada de Fagundes, também teve cenas intensas. Num momento climático, é arrastada pelo chão. “Tivemos de fazer de primeira, não podia repetir porque envolvia muitos detalhes e, se quebrássemos algo, não dava para recompor o cenário”. Ela observa que mesmo com muitos ensaios e com um colchonete no chão para protegê-la da queda, na hora de fazer de verdade nunca se sabe o que vai acontecer.
Descartes, que já tinha trabalho com o diretor em Trabalhar Cansa e em curtas, diz que a curva dramática de seu personagem foi o que mais o interessou. “Ele vai de deprimido para louco, tentando desvendar um mistério do passado”. Para se preparar, o ator leu Freud e, quando leu o roteiro, teve certeza de que este era o personagem mais importante de sua carreira, que inclui filmes como Os inquilinos e Supernada. “A todo momento, no set, ao final de cada cena daquelas que contagiam e emocionam todo o set, eu dizia pra mim mesmo: ‘Obrigado, meu Deus, por esse presente!’”.
Já Gilda Nomacce, também veterana nos filmes de Dutra, conta que sua personagem, Miranda, é muito diferente dele. Uma espécie de manicure benzedeira, ela cuida das unhas dos personagens mas também oferece serviços de descarrego. Para vivê-la, a atriz passou por uma grande transformação física. “A composição visual da Miranda é muito diferente de mim, o que já me colocou num lugar de estranhamento. Precisei deixar meu cabelo bem curto, descolorir, tirar quase que totalmente as sobrancelhas. Foi chocante me ver transformada na personagem no dia a dia”.
