04/06/2026

Brasil tem dois longas selecionados para mostras competitivas em Roterdã 2021

 
 Madalena, de Madiano Marchetti, participará da Tiger Competition, no Festival de Roterdã de 2021
 
Dois filmes brasileiros, Madalena, de Madiano Marchetti, e Carro-rei, de Renata Pinheiro,  foram selecionados para competições dentro do próximo Festival de Roterdã, o primeiro na Tiger Competition, o segundo, na Big Screen Competition. O festival holandês ocorrerá em duas etapas, e de forma híbrida, entre 1 e 7 de fevereiro e 2 a 6 de junho de 2021.
 
Filmado em Dourados (MS), Madalena tem como ponto de partida o encontro do corpo de Madalena numa plantação de soja. Na sequência, a trama acompanha a história de três jovens - Luziane (Natália Mazarim), Bianca (Pamella Yule) e Cristiano (Rafael de Bona), que vivem contextos diferentes em uma mesma cidade. Embora não se conheçam, o espírito de Madalena, que paira sobre a cidade, torna-se um elo entre os três. O longa denuncia a violência constante do país que mais mata a população LGBTQIA+.   
 
“Estou extremamente feliz e honrado pela oportunidade de estrear meu primeiro longa-metragem em um festival da envergadura do Festival de Roterdã. Nós, cineastas brasileiros, enfrentamos muitas dificuldades para fazer com que nossos filmes cheguem às telas, sobretudo no momento atual, que é particularmente sombrio no que diz respeito ao setor da cultura. Por isso, sou muito grato por ter a chance de levar mais um filme brasileiro para uma janela internacional de cinema tão prestigiada. Um filme do Centro-Oeste brasileiro, que procura levantar discussões que considero importantes e urgentes, como meio ambiente e direitos humanos”, afirma o diretor mato-grossense Madiano Marcheti. 
 
Ambientado em Caruaru (PE), Carro-rei tem como protagonista Uno (Luciano Pedro Jr), que ganha esse nome em homenagem ao primeiro carro adquirido por seus pais, no qual ele nasceu a caminho da maternidade. Desde criança, Uno fala com esse mesmo carro e o considera como seu melhor amigo. Um acidente trágico separa os dois: Uno se torna um jovem ativista ambiental, enquanto o carro é despachado para o ferro-velho do seu tio, Zé Macaco (Matheus Nachtergaele), um mecânico com ideias mirabolantes.  
 
A diretora Renata Pinheiro, que assina o roteiro com Sergio Oliveira e Leo Pyrata, define o longa como “um filme sobre luta de classes. O projeto surge da observação das cidades brasileiras e da constatação de um exagerado apego da população aos automóveis. Os carros particulares ocupam as ruas, as mentes e os planos dos governantes: são mais que veículos, são tratados com mais regalias que os transeuntes. Essa importância desproporcional dos automóveis na sociedade brasileira pode ser fruto de uma falsa crença de que o carro é um símbolo de ascensão social e prosperidade. Carro-rei é o resultado de uma investigação artística que busca construir uma relação interpessoal entre personagens inusitados, objetos inanimados e humanos, em ambientes que revelam essa complexidade. Nos meus filmes, tento construir uma narrativa considerando que linguagem visual é tão importante quanto o diálogo. E, neste contexto, os objetos também tem grande significância e são personagens vivos.”

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